|Saara Ocidental

A luta do povo saarauí «foi silenciada e censurada», afirma diplomata da RASD

Havana acolheu um acto comemorativo dos 51 anos da Frente Polisário, no qual Omar Bulsan sublinhou o apoio da Ilha aos povos que lutam pela soberania e denunciou o silêncio sobre o Saara Ocidental.

Omar Bulsan, embaixador da RASD em Havana, intervém numa iniciativa no Centro Fidel Castro para assinalar os 51 anos da Frente Polisário 
CréditosEndrys Correa Vaillant / PL

«Cuba mostrou ao longo da história o seu apoio aos povos que lutam pelo direito a ser independentes e soberanos», afirmou, esta sexta-feira, o embaixador da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), Omar Bulsan.

O diplomata saarauí interveio numa iniciativa relacionada com o 51.º aniversário da Frente Polisário, celebrada no Centro Fidel Castro da capital cubana.

No encontro, Bulsan destacou «as demonstrações heróicas do povo cubano» nas lutas pela libertação de países africanos, sob a liderança de Fidel Castro, refere a Prensa Latina.

Na ocasião, o embaixador recordou as origens da criação da Frente Popular de Libertação de Saguia el Hamra e Rio de Ouro (Polisário), num contexto marcado pelo avanço dos movimentos de libertação nacional do jugo dos impérios coloniais em África.

A formação de estudantes saarauís em Cuba é uma das vertentes da cooperação entre a Ilha e a RASD // Endrys Correa Vaillant / PL

Fundada em 1973 por El Uali Mustafa Sayed em conjunto com outros jovens saarauís, a organização deu continuidade às lutas empreendidas desde os anos 60 pelo Movimento para a Libertação do Saara, liderado por Mohamed Sidi Brahim Basir.

Em Havana, o diplomata disse que a luta do povo saarauí «foi silenciada e censurada», nomeadamente pela imprensa estrangeira na região, pertencente a órgãos de Marrocos, França e Espanha.

«A Frente Polisário não é um partido, mas um aglutinador de toda a opinião pública e de defensores da independência» da RASD, explicou, tendo ainda referido que Cuba conhece de perto o tratamento a que o seu país é submetido.

Denunciando de forma contundente o genocídio perpetrado por Israel contra o povo palestiniano em Gaza, Bulsan criticou os maus-tratos e as perseguições de que são vítimas os cidadãos nas cidades ocupadas por Marrocos que se mostrem a favor da Frente Polisário ou peçam a liberdade para o povo saarauí.

Já o vice-chefe do Departamento de Relações Internacionais do Partido Comunista de Cuba, Juan Carlos Marsán, destacou as relações de cooperação existentes, desde 1980, entre a organização política e a RASD, em áreas como os cuidados de saúde e a formação de estudantes saarauís.

Marsán, que recordou as suas experiências no país árabe durante as comemorações do 50.º aniversário da Frente Polisário, reconheceu ainda o trabalho das mulheres que lutam pela soberania da RASD.

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