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Resistência do povo saarauí enaltecida pelo mundo fora

Brasil, Itália, Argélia, Argentina foram alguns dos pontos onde, a propósito dos 50 anos da RASD, houve iniciativas que destacaram a luta tenaz do povo saarauí pela autodeterminação.

O direito inalienável à autodeterminação do povo saarauí é vincado em todas as iniciativas que assinalam cinco décadas de resistência no deserto Créditos / Plataforma Cascais

Em Brasília, cerca de 60 pessoas juntaram-se na Escola Nacional Eliana Silva para ouvir o embaixador da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), Ahmed Mulay Ali Hamadi, a falar sobre a história do seu país.

No âmbito da conferência que ali foi promovida na sexta-feira, o diplomata defendeu que a causa saarauí constitui um exemplo de organização contra o colonizador (Espanha, primeiro; e depois Mauritânia e Marrocos), um processo que, disse, combinou resistência, articulação institucional e coesão social.

Mulay sublinhou que a proclamação da RASD a 27 de Fevereiro de 1976, um dia depois da retirada espanhola do Saara Ocidental, não foi um acto isolado, uma vez que marcou o início de um projecto forjado em condições de ocupação e exílio.

Em declarações à Prensa Latina no sábado, o diplomata aludiu aos temas abordados no encontro, como o direito internacional e o princípio de autodeterminação, e referiu-se também à decisão dos saarauís de lutar pela independência, bem como à vigência da sua causa num contexto geopolítico complexo.

Mulay destacou ainda a unidade do povo saarauí, sob o jugo colonial de Marrocos, como pilar fundamental para manter estas cinco décadas de resistência.

«Saara Ocidental: Estado e colónia»

Teve lugar esta quinta-feira, na capital argelina, a apresentação da obra Saara Ocidental: Estado e colónia, a cargo dos seus autores: Manfred Heinz, professor de Direito na Universidade de Bremen (Alemanha); Ahmed Mohamed Sid Ali, assessor jurídico da Presidência saarauí, e Ama Lahbib, militante saarauí radicada na Alemanha.

Na cerimónia de apresentação, que contou com a presença do embaixador da República Saarauí na Argélia, Khatri Addouh, os autores abordaram o conteúdo da obra, destacando o desenvolvimento das instituições saarauís no âmbito da luta de libertação nacional.

Entre outros aspectos, refere a agência Sahara Press Service (SPS), Manfred Heinz salientou que os fundamentos do Estado saarauí foram estabelecidos com todas as estruturas de qualquer outro Estado, acrescentando que o livro se centra no desenvolvimento da Constituição saarauí e na sua conformidade com as constituições dos países de todo o mundo.

Heinz recordou ainda que, 50 anos após a proclamação da RASD, o território continua a ser uma colónia não descolonizada, um processo em que, sublinhou, Espanha detém uma responsabilidade histórica.

Iniciativas político-culturais em Itália

Em conjunto com organizações solidárias em Itália, o município toscano de Pontassieve decidiu aderir às comemorações dos 50 anos de proclamação da RASD, tendo lançado um programa específico para o efeito.

Esta sexta-feira, foi inaugurada uma exposição fotográfica de Andrea Sawyerr, centrada nos 50 anos de exílio, resistência e luta do povo saarauí pelo seu direito inalienável à autodeterminação.

Seguiu-se, também na sede municipal, um debate dedicado ao tema «50 anos no deserto», que contou com a participação de representantes da Frente Polisário, investigadores, activistas e eleitos italianos, que analisaram meio século de resistência do povo saarauí, destacaram a importância do direito internacional e de uma solução que garanta a sua autodeterminação, e apelaram ao reforço da sensibilização para a sua causa.

As comemorações dos 50 anos da proclamação da RASD em Pontassieve terminam no próximo sábado, com a inauguração de um mural dedicado aos direitos de todos os povos – «terra, paz e autodeterminação».

Apoio ao povo saarauí reafirmado na Argentina

A Asociación de Amigos Cordobeses por el Sáhara Occidental, de Córdoba, emitiu uma declaração por ocasião do 50.º aniversário da proclamação da RASD, na qual reitera o seu apoio ao povo saarauí e enaltece a sua firmeza ao longo deste meio século de luta pela soberania.

Dirigindo-se aos «irmãos saarauís» num documento citado na íntegra pela SPS, a associação afirma que eles são «a prova de que um povo pode ser injustamente privado das suas cidades, mas nunca do direito de ser senhor do seu próprio destino, da sua imensa história».

«A RASD é uma realidade irreversível: não procura concessões. Reivindica o direito inalienável à autodeterminação, um direito protegido pelo direito internacional e que a moral humana exige», declara a associação argentina.

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