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Andaluzia e País Basco solidários com o Saara Ocidental

Em várias províncias andaluzas e bascas houve mobilizações contra o apoio de Sánchez ao plano marroquino de autonomia. Para sábado está agendada uma manifestação em Madrid em defesa da autodeterminação.

Manifestação em Sevilha contra a decisão do governo espanhol de apoiar o plano de autonomia marroquino
Manifestação em Sevilha contra a decisão do governo espanhol de apoiar o plano de autonomia marroquinoCréditosSantiago F. Reviejo / publico.es

Em Sevilha, cerca de mil pessoas participaram, esta terça-feira, na manifestação convocada pela Asociación de Amistad con el Pueblo Saharaui de Sevilla (AAPSS) e a Delegación Saharaui para Andalucía, com o apoio de sindicatos, partidos políticos e organizações sociais.

O protesto, no centro da cidade hispalense, visava denunciar a «surpreendente decisão» do executivo espanhol de apoiar o plano de Marrocos de autonomia para o Saara Ocidental, em vez de defender o referendo de autodeterminação, tal como consagrado na primeira resolução das Nações Unidas sobre a questão.

Palavras de ordem como «Sánchez, atiende, el Sahara no se vende» (Sánchez, presta atenção, o Saara não se vende) e «Sahara libertad, Polisario vencerá» (Saara liberdade, Polisário vencerá) fizeram-se ouvir nas escadarias de Las Setas, em protesto contra o apoio do governo espanhol à soberania sobre o Saara Ocidental, conhecido na sexta-feira passada.

«O aparelho do PSOE, do governo, tomou uma decisão incompreensível, que contraria toda a cultura espanhola de neutralidade nesta matéria e de apoio às resoluções das Nações Unidas», disse ao Público espanhol o presidente da AAPSS, Fernando Peraita.

O dirigente desta antiga e activa associação solidária disse ainda que se trata de um «posicionamento inqualificável» e acusou a «cúpula do PSOE» de agir com «falsidade» contra os seus próprios votantes e simpatizantes.

Por seu lado, um representante da Asociación Ardi Hurra (diáspora saarauí em Sevilha) que vive há 15 anos na capital andaluza manifestou o seu mal-estar com a «mudança» operada pelo governo espanhol e disse que estava ali «para lutar pela nossa soberania, pela nossa terra».

No País Basco afirmou-se que o Saara Ocidental não é Marrocos

A mobilização em Sevilha foi uma de várias que, ontem, tiveram lugar em território andaluz em defesa da autodeterminação para o Saara Ocidental, nomeadamente em Granada, Córdova, Málaga, Huelva e Jerez. Em Cádis, Jaén e Almeria realizam-se entre hoje e sexta-feira. Para sábado, está agendada uma manifestação solidária em Madrid, frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Manifestação em Bilbau em defesa do direito de autodeterminação do povo saarauí / Ecuador Etxea

Convocadas pelo movimento solidário e a diáspora saarauí na Comunidade Autónoma Basca, realizaram-se manifestações, também esta terça-feira, em Bilbau, Donostia e Vitória-Gasteiz em protesto contra a decisão de Pedro Sánchez de apoiar a proposta de autonomia marroquina para o Saara Ocidental.

De acordo com o comunicado divulgado pelos promotores, foram apontadas três ideias fundamentais. Por um lado, o Saara Ocidental não faz parte do território de Marrocos e constitui «um território não autónomo à espera da descolonização», tendo reconhecido pelas Nações Unidas o direito «à autodeterminação e à independência».

Por outro, o Estado espanhol é a «potência administradora» desse território e não «se pode desligar das suas responsabilidades», independentemente de qualquer acordo com terceiros.

Além disso, sublinharam, o apoio do governo espanhol à autonomia coloca entraves ao processo de paz promovido pela ONU e ampara «o saque dos recursos naturais» saarauís, denunciado por múltiplos organismos.

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