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«Kiev fez tudo para sabotar os acordos de Minsk»

Numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador russo acusou as autoridades ucranianas de não terem respeitado os acordos que exigem o fim das hostilidades no Donbass.

Zona do Donbass bombardeada pelas forças ucranianas; de acordco com as milícias populares em Lugansk, os bombardeamentos prosseguem 
Zona do Donbass bombardeada pelas forças ucranianas; de acordco com as milícias populares em Lugansk, os bombardeamentos prosseguem Créditos / @EHDonbass

No encontro realizado ontem à noite, o representante da Rússia junto das Nações Unidas, Vassily Nebenzia, afirmou que o seu país se mantém aberto a uma solução diplomática para resolver o conflito na região do Donbass, mas denunciando que a Ucrânia prossegue com a retórica militar e com o incumprimento dos acordos de Minsk.

«Kiev não só regressou muito rapidamente à retórica militar e continuou a bombardear os civis, como também fez todo o possível para destruir os acordos de Minsk, que pedem o fim das hostilidades na região do Donbass», disse, citado pela Prensa Latina.

Neste sentido, destacou a necessidade de defender as regiões separatistas do Sudeste da Ucrânia – as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk – daquilo que qualificou como uma agressão da Ucrânia.

Nebenzia disse que o seu país não vai permitir um novo banho de sangue na região do Donbass, frisando que a questão que prevalece é «como evitar a guerra e obrigar a Ucrânia a parar os bombardeamentos e as provocações contra Donetsk e Lugansk».

O diplomata disse ainda que, entre os países ocidentais, existe um «pânico sem fundamento» sobre uma alegada invasão da Ucrânia.

A reunião de emergência do Conselho de Segurança foi convocada por iniciativa da Ucrânia, depois de, ontem, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter decidido «reconhecer de imediato a independência e a soberania» de Donetsk e Lugansk, e ter anunciado o envio de forças para os territórios separatistas para garantir a paz.

Alerta para consequências «regionais e globais»

A secretária-geral adjunta da ONU, Rosemary DiCarlo, sublinhou que as próximas horas e dias serão «críticos» e destacou que a decisão da Rússia de reconhecer a independência de ambas as repúblicas populares poderá ter «implicações regionais e globais».

DiCarlo, que também se mostrou preocupada com o destacamento de tropas russas para o Leste da Ucrânia numa «missão de manutenção de paz», alertou para as tensões na região e para 3331 violações do cessar-fogo registadas nos últimos dias no Donbass.

Já a China fez um apelo à «moderação» de todas as partes envolvidas, no sentido de não tomarem medidas que conduzam à tensão, bem como a procurar resolver o conflito pela via diplomática.

Países ocidentais falam de «violação do direito internacional» 

No Conselho de Segurança, a representante norte-americana junto da ONU, Linda Thomas-Greenfield, afirmou que o reconhecimento, por Vladimir Putin, das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk «como estados independentes» constitui «uma violação não provocada da soberania e integridade territorial da Ucrânia», refere a RT.

Da mesma forma, outros países ocidentais, como França, Alemanha, Canadá ou Portugal, receberam mal a decisão do Kremlin, frisando que se trata de «uma violação unilateral dos compromissos internacionais da Rússia e um ataque à soberania da Ucrânia».

Alguns também falaram em «reagir com firmeza» perante a «violação do direito internacional». Reconhecer a independência do Kosovo, bombardear a Jugoslávia, destruir a Líbia, o Iraque ou Afeganistão não mereceram a mesma apreciação dos dirigentes do mundo ocidental, aliados dos EUA, membros da NATO e outros.

Intervir na Síria sem mandato das Nações Unidas e sem autorização do país também não violou o direito internacional, ao que parece. E apoiar Juan Guaidó – a marioneta autoproclamada a mando de Washington – na Venezuela fez parte da etiqueta ocidental. Até que não. 

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