A 27 de Junho de 1973, o presidente eleito do Uruguai, Juan María Bordaberry, decretou a dissolução do Parlamento, com o apoio das Forças Armadas, e a data marcou o início da ditadura que se prolongou até 1985 no país sul-americano.
Ao golpe que instaurou a ditadura civil-militar, o movimento sindical, unido em torno da outrora Convenção Nacional dos Trabalhadores (CNT), respondeu com uma histórica greve geral, que os sindicatos ontem homenagearam.
Marcelo Abdala, presidente da PIT-CNT, já tinha explicado que a greve de quatro horas (das 9h às 13h) e a jornada de mobilização de ontem, com uma concentração em Montevideu, eram «em homenagem a uma greve geral que os trabalhadores fizeram em defesa da democracia», servindo ao mesmo tempo para reivindicar «trabalho digno» e denunciar «a precariedade laboral, a perda de direitos».
Também em comunicado, a central Plenário Intersindical dos Trabalhadores – Convenção Nacional dos Trabalhadores (PIT-CNT) disse que a mobilização iria repudiar a nova Lei da Comunicação Social, bem como a repressão e as investigações ilegais contra militantes do mundo operário.
A este propósito, ao ser questionado pela imprensa sobre o facto de ter sido alvo de «espionagem», Abdala manifestou grande preocupação da parte do movimento sindical, sublinhando que «a Constituição da República Uruguaia estabelece claramente a proibição das investigações secretas e ilegais».
Enaltecendo o exemplo de luta pela democracia de há 51 anos, a greve e a mobilização de ontem centraram-se em questões actuais, como «a defesa da democracia, o respeito pelos direitos individuais, a defesa do trabalho, o acesso à habitação e a não aplicação do modelo de desigualdade que gera condições para o aumento da pobreza infantil».
Abdala vincou a importância de lutar contra «os diversos modos de precarização» e contra «a desregulação que implica a actual forma de trabalho», num contexto em que há mais empresas a fechar portas, maior números de despedimentos, mais precariedade dos vínculos de trabalho e mais dificuldade para aceder à Segurança Social no Uruguai.
Agravamento da desigualdade e da pobreza
Estas várias questões foram abordadas, na concentração de ontem, pelos dirigentes sindicais Alexis Pintos, Abigail Puig e Daniel Diverio.
Ao intervir, este último chamou a atenção para o aprofundamento da desigualdade e da pobreza no Uruguai, sobretudo da pobreza infantil.
Por esta situação, Diverio responsabilizou em grande medida as decisões políticas do actual governo, que levaram à desvalorização dos salários ou a cortes nas políticas sociais.
Neste contexto, apontou a necessidade de «políticas audazes» que apostem decididamente na investigação, na educação e na qualificação dos trabalhadores.
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