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Capital e EUA na base do golpe de Estado no Uruguai, defende central sindical

A ditadura instaurada no Uruguai a 27 de Junho de 1973 «foi uma operação do capital financeiro e do imperialismo norte-americano» contra o povo, afirmou o presidente da PIT-CNT, Marcelo Abdala.

Milhares de pessoas mobilizaram-se, esta terça-feira, em Montevideu para assinalar os 50 anos do golpe de Estado, recordar a greve geral histórica que fez frente ao fascismo e reivindicar os direitos dos trabalhadores na actualidade 
Milhares de pessoas mobilizaram-se, esta terça-feira, em Montevideu para assinalar os 50 anos do golpe de Estado, recordar a greve geral histórica que fez frente ao fascismo e reivindicar os direitos dos trabalhadores na actualidade Créditos / @PITCNT1

O dirigente sindical participou, esta terça-feira, na concentração promovida pela central Plenário Intersindical dos Trabalhadores – Convenção Nacional dos Trabalhadores (PIT-CNT) frente à refinaria de La Teja, um local emblemático da resistência popular, no dia em que passavam 50 anos do golpe de Estado de 27 de Junho de 1973, ao qual o movimento operário do país sul-americano respondeu com uma histórica greve geral.

Em declarações ao periódico Caras y Caretas, Abdala disse que o golpe de Estado foi a resposta ao avanço de organização e unidade que se verificou no seio no movimento operário, que se uniu em torno da outrora Convenção Nacional dos Trabalhadores, e das forças esquerda.

«Havia um processo de criação das ferramentas para um avanço democrático, e o golpe de Estado foi contra isso», disse o presidente da PIT-CNT.

A ditadura civil e militar (1973-1985) foi responsável por «centenas de desaparecidos, torturados, presos, exilados e forçados à acção clandestina», lembrou Abdala, que se referiu também à degradação do poder de compra e à «enorme transferência do trabalho para o capital».

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Marcelo Abdala sublinhou que a central sindical reivindica «Terrorismo de Estado nunca mais» e defendeu o aprofundamento da democracia no país, tendo por base a verdade e a justiça, nomeadamente no que respeita à questão dos desaparecidos, bem como trabalho de qualidade e respeito pelos direitos humanos concretos.

«Nunca mais»

A concentração junto à refinaria de La Teja enquadrou-se numa jornada de greve geral (das 9h às 13h) e mobilização pelo centro de Montevideu.

Em declarações ao portal da PIT-CNT, o vice-presidente da central sindical uruguaia, José Lorenzo López, disse que se trata de uma jornada de «memória e luta».

«A greve [de há 50 anos] não surgiu de um dia para o outro, pois vinha a ser discutida e preparada havia muito tempo. Nesse contexto, conjugava-se algo de semelhante ao que se passa agora, pois, no meio da situação que o país vivia, os sindicatos estavam a reclamar uma visão de país diferente ao governo de então», afirmou López.

A greve e a mobilização desta terça-feira serviram igualmente para trazer à tona as principais exigências do movimento sindical na actualidade, como são a defesa das empresas públicas e da Educação pública, da negociação colectiva, de trabalho e salários dignos, da água e dos direitos humanos, da democracia e da liberdade, entre outras.

Na véspera, dia 26, com o lema «Nunca mais», houve inúmeras iniciativas para assinalar os 50 anos do golpe de Estado, sendo uma delas a sessão extraordinária no Parlamento, que contou com a presença do actual e de antigos presidentes da República, e que reeditou a última sessão do Senado a 26 de Junho de 1973, na noite anterior à dissolução de ambas as câmaras do Poder Legislativo.

Recorde-se que, a 27 de Junho de 1973, o presidente eleito do Uruguai, Juan María Bordaberry, decretou a dissolução do Parlamento, com o apoio das Forças Armadas, e que data marcou o início da ditadura que se prolongou até 1985 no país sul-americano.

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