Golpe consumado: Dilma já não é presidente do Brasil

A destituição de Dilma Rousseff é oficial. No Senado, 61 votos contra 20 ditaram o seu afastamento. Michel Temer assumirá funções como presidente, num mandato que vai até 31 de Dezembro de 2018.

Primeira tomada de posse de Dilma Rousseff. Nas últimas eleições foi eleita por cerca de 54 milhões de brasileiros
Primeira tomada de posse de Dilma Rousseff. Nas últimas eleições foi eleita por cerca de 54 milhões de brasileirosCréditosFabio Rodrigues Pozzebom / CC BY 3.0 br

O Senado votou e aprovou, hoje à tarde, a destituição de Dilma Rousseff. Após uma longa sessão, onde a então presidente apresentou a sua defesa, 61 senadores votaram a favor do seu afastamento da presidência, enquanto 20 se pronunciaram contra.

O crime de responsabilidade de que estava acusada, pela chamada «pedalada fiscal», tinha merecido já da parte do Senado uma perícia, que concluiu que Dilma não contribuiu para que houvesse atrasos nos pagamentos do Plano Safra (que caracterizam as pedaladas). Não obstante, os senadores mantiveram a acusação e afastaram a presidente. De notar que, dos 81 senadores, pelo menos 47 têm problemas com a Justiça, estando 12 deles indiciados no processo Lava-Jato.

O PCP já se pronunciou sobre o caso, através de um comunicado. Começou por reforçar que Dilma foi eleita por 54 milhões de brasileiros e que este foi um «golpe de Estado institucional», não se tratando «do afastamento das suas altas funções de alguém que cometeu qualquer crime que o justificasse». Os comunistas consideram que esteve em causa «uma grande operação do grande capital brasileiro para pôr em causa o processo de mudanças sociais e de afirmação soberana, iniciado com a Presidência de Lula da Silva em Janeiro de 2003, e reverter avanços verificados, tirando partido da maioria nas instituições do Estado e dos problemas económicos provocados pela crise do capitalismo».

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) também demonstrou a sua solidariedade para com Dilma Rousseff: «Não basta ser mulher para estar no poder, mas as condições de vida de milhões de mulheres pobres do Brasil, de jovens, de trabalhadores, precisam de uma democracia política, económica e cultural no Brasil, que lamentavelmente já estão a perder com este presidente interino.»