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Comissão da Greve propõe diálogo «inclusivo e democrático» ao governo colombiano

A comissão propôs a criação de uma mesa nacional de diálogo, «plural e diversa», para debater com o governo de Duque as reivindicações económicas e sociais que trouxeram milhares de colombianos para as ruas.

O movimento estudantil tem participado de forma activa nos protestos contra as políticas neoliberais de Iván Duque
O movimento estudantil tem participado de forma activa nos protestos contra as políticas neoliberais de Iván Duque Créditos / La Tercera

«Dirigimo-nos a si para lhe expressar a nossa posição sobre as condições que permitiriam dar início, quanto antes, a esse diálogo», lê-se numa carta enviada ao presidente da Colômbia, Iván Duque, e divulgada em conferência de imprensa esta quinta-feira, ao cabo de uma semana de intensos protestos no país andino contra as reformas económicas do governo.

A Comissão Nacional da Greve na Colômbia, que integra sindicatos, organizações estudantis, de indígenas e afrodescendentes, os congressistas da Bancada pela Paz e os membros do movimento Defendamos a Paz propõem um «diálogo inclusivo, democrático e eficaz».

Nos termos da missiva, «inclusivo» significa que deve «garantir a participação dos cidadãos e de todas as organizações da sociedade civil»; «democrático» aponta para a necessidade de alcançar acordos sobre os problemas fundamentais do país; «eficaz» significa que esses acordos devem tranformar-se em «medidas verificáveis que resolvam tais problemas».

Neste sentido, solicitaram a criação de uma mesa nacional de diálogo, plural e diversa, em que participem representantes dos diversos sectores organizados na Comissão Nacional de Greve, na Bancada pela Paz e no Defendamos a Paz, e que garanta a participação ampla da sociedade, dos jovens, das mulheres.

Os promotores da missiva defendem ainda que a agenda de diálogo se deve basear nas grandes preocupações e reivindicações da sociedade civil, nomeadamente as relativas à política económica e social do governo, e no que respeita ao cumprimento dos acordos subscritos com os sindicatos e o movimento estudantil, os camponeses, os povos indígenas e afrocolombianos, revela a Prensa Latina.

Acordos de paz, luta contra contra a corrupção, fim da repressão

Da agenda deverá constar igualmente a implementação do acordo de paz firmado em 2016 entre o Estado colombiano e as FARC-EP, bem como questões relacionadas com a política de segurança, os direitos humanos e os assassinatos sistemáticos de dirigentes sociais e de ex-combatentes.

A reforma política e eleitoral, medidas de luta contra a corrupção e medidas para garantir a defesa da natureza e do ambiente são também elementos a ter em conta na agenda de diálogo, segundo esta proposta.

O governo de Duque também é desafiado «a garantir o exercício do direito ao protesto, a desmilitarizar as cidades e a acabar com qualquer acção violenta contra as mobilizações pacíficas por parte das forças de segurança pública e, em especial, do Esquadrão Móvel Antidistúrbios (ESMAD)».

Nova «grande jornada de mobilização» em perspectiva

Os promotores desta missiva, que rejeitaram o apelo de Iván Duque para uma «conversa nacional», no passado dia 24, ao considerarem que a iniciativa deixava de fora amplos sectores da sociedade, anunciaram uma «grande jornada de mobilização» para dia 4 de Dezembro.

Para esta sexta-feira, também estão previstas novas paralisações e manifestações, segundo refere a TeleSur, que dão continuidade aos protestos iniciados a 21 deste mês, aos quais Duque respondeu com forte repressão nas ruas e com a inevitável culpabilização do «chavismo» – de tal forma que vários cidadãos venezuelanos foram deportados.

Num comunicado, o Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros denuncia a «criminalização dos imigrantes venezuelanos», sublinhando que se trata de «um pretexto para desviar as atenções do verdadeiro responsável pela crise na Colômbia».

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