|Colômbia

Acção do Esquadrão Antidistúrbios provoca pelo menos dois mortos em Bogotá

No município de Usme, a sul da capital colombiana, as manifestações contra o governo de Duque foram alvo de forte repressão. O Comité da Greve rejeita a «criminalização do protesto».

Repressão em Usme 
Repressão em Usme Créditos / RT

Pelo menos dois mortos e 40 feridos foi o saldo da intervenção do conhecido Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad) contra as manifestações que esta segunda-feira à noite tiveram lugar na localidade de Usme, a sul de Bogotá.

De acordo a imprensa colombiana, Jaime Alonso Fandiño, de 33 anos, foi morto quando participava nos protestos antigovernamentais no Bairro de Yomasa. Uma outra morte foi confirmada pelo Primera Línea Colombia.

Testemunhas afirmaram que o Esmad disparou uma granada de gás lacrimogéneo directamente contra o peito de Alonso Fandiño, que, devido à gravidade dos ferimentos, necessitava de assistência médica imediata.

No entanto, refere a TeleSur, os agentes do Esmad lançaram mais gás lacrimogéneo para o local, impedindo que o homem fosse assistido ou levado para um hospital.

Ao ter conhecimento da morte de Jaime Alonso Fandiño, a vereadora Heidy Sánchez lamentou o facto e afirmou que, até à data, três pessoas foram mortas em Bogotá desde o início da Greve Geral, a 28 de Abril.

Posteriormente, as autoridades referiram que Jaime Alonso Fandiño chegou a um centro de saúde já sem sinais de vida. Num comunicado, a Campaña Defender la Libertad, denuncia que a Polícia Metropolitana e o Esmad «estão a ignorar o cumprimento dos protocolos de intervenção e acção no contexto dos protestos».

Até 22 de Junho, o organismo regista 83 vítimas mortais no âmbito das greves e manifestações contra o governo de Iván Duque.

Comité da Greve rejeita «criminalização do protesto»

O Comité rejeitou, esta segunda-feira, a limitação do direito ao protesto imposta por decreto, na última sexta-feira, pelo governo colombiano. De acordo com a definição agora estabelecida, os bloqueios de vias, que têm sido amplamente utilizados como forma de protesto no país, deixam de ser «permitidos» e as forças de segurança ficam autorizadas a recorrer ao «uso da força» para os dissolver.

Rodrigo Uprimny, professor da Universidade Nacional da Colômbia, considerou a medida como «grave e inconstitucional», uma vez que «não se pode alterar o direito ao protesto por decreto», refere a TeleSur.

O anúncio, pela pena do governo, daquilo que é «pacífico ou legítimo» mereceu a condenação de partidos, sindicatos e organizações sociais, e também do Comité da Greve, que na semana passada anunciou uma paragem temporária nas mobilizações, que «não significa o fim da mobilização na Colômbia», pois as razões que levaram os colombianos às ruas desde 28 de Abril «mantêm-se vigentes», afirmaram.

Tópico