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Cessar-fogo é «vitória do povo palestiniano», afirma MPPM

Louvando a «resistência heróica de todo o povo palestiniano», o movimento solidário português saúda o «cessar-fogo incondicional em Gaza», mas alerta que as questões de fundo subsistem.

Manifestação solidária com o povo palestiniano em Londres, no sábado, 22 de Maio 
Manifestação solidária com o povo palestiniano em Londres, no sábado, 22 de Maio Créditos / PressTV

Num documento publicado este domingo, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) «saúda o cessar-fogo incondicional em Gaza que entrou em vigor nesta sexta-feira, 21 de Maio, e que põe fim a 11 dias de bárbaros e intoleráveis bombardeamentos, nos quais Israel causou a morte a quase 250 palestinianos, entre os quais 65 crianças, e provocou ferimentos em cerca de dois milhares, além de provocar uma devastação generalizada num território já de si empobrecido».

Também ontem, a ministra da Saúde da Palestina, Mai Alkaila, revelou em conferência de imprensa que a «bárbara» agressão israelita contra o povo palestiniano, levada a cabo nas últimas semanas em Jerusalém, na Margem Ocidental ocupada e na Faixa de Gaza cercada, provocou a morte de 277 pessoas, incluindo 70 crianças e 40 mulheres, além de cerca de 8500 feridos, informa a agência WAFA.

O cessar-fogo representa uma «vitória da resistência heróica de todo o povo palestiniano, em Gaza, em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia, na diáspora, mas também entre os que têm a cidadania israelita», afirma o MPPM no comunicado da sua direcção nacional, destacando que «a unidade de todos os palestinianos em torno da sua causa nacional, que se evidenciou nestes dias, é um bem precioso e é a chave para alcançar avanços futuros».

O MPPM saúda igualmente as «magníficas expressões de solidariedade popular com o povo palestiniano em todo o mundo» e, em especial, os que participaram nas mobilizações realizadas em Portugal, nomeadamente em Lisboa, Porto e Évora, há uma semana.

As referidas «expressões» solidárias e de denúncia prolongaram-se este fim-de-semana com manifestações em várias cidades do mundo, incluindo Adelaide e Sydney (Austrália), Berlim e Frankfurt (Alemanha), Paris (França), Londres – onde, segundo a PressTV, estiveram presentes 180 mil pessoas –, Birmingham e Liverpool (Reino Unido).

Questões de fundo mantêm-se

«O cessar-fogo põe fim aos bombardeamentos de Gaza, mas não põe fim à questão de fundo que esteve na origem desta mais recente explosão de violência: a ocupação israelita e a negação do direito do povo palestiniano a um Estado soberano e independente», alerta o MPPM.

O organismo solidário português sublinha que o cessar-fogo não acaba com o cerco a Gaza, nem com os colonatos israelitas ilegais em território palestiniano ocupado. Da mesma forma, «não põe fim ao Muro do Apartheid que retalha a Cisjordânia», nem à «repressão israelita na Esplanada das Mesquitas», como se verificou novamente esta sexta-feira.

Também não elimina a «ameaça permanente de limpeza étnica dos palestinianos do seu território histórico», como não acaba com os «milhares de presos políticos palestinianos nas cadeias de Israel» ou com a «segregação e múltiplas discriminações a que são sujeitos os palestinianos dentro das fronteiras de Israel de 1949».

Posicionamento «inadmissível» do Governo português

Para o MPPM, é «inadmissível» que o Governo português «tenha ignorado» a situação da população palestiniana no Bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental ocupada, a «brutal repressão» israelita sobre os palestinianos na Cidade Velha de Jerusalém, as «perseguições aos palestinianos» em Israel, a «decisão de Israel de lançar um novo e brutal bombardeamento sobre a população da Faixa de Gaza».

«Seguindo acriticamente a conivência da União Europeia e dos EUA com Israel, o Governo português não apenas traiu as suas obrigações constitucionais, como se tornou cúmplice daqueles que, com o seu silêncio eterno face às violações por parte de Israel do Direito Internacional […], perderam hoje qualquer legitimidade para criticar a resistência heróica do povo palestiniano e se tornaram responsáveis pelas ameaças ao povo palestiniano e à paz em todo o Médio Oriente», acusa o MPPM.

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