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Alerta das Nações Unidas para travar a fome na América Latina

A suspensão das aulas, por causa da pandemia de Covid-19, fez com que 85 milhões de estudantes deixassem de receber refeições escolares na América Latina e Caraíbas, revelou a ONU.

Da população em situação de pobreza nas Honduras, 60,1% reside nas regiões rurais
A crise agravada pela pandemia de Covid-19 aumenta os riscos de fome, pobreza e desigualdade Créditos / elheraldo.hn

A Direcção Regional do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas para a América Latina e Caraíbas sublinhou, numa nota divulgada na sua sede, na Cidade do Panamá, que o «almoço escolar representava para muitas crianças a "única refeição do dia"» e, neste sentido, instou os governos da região a encontrar alternativas que permitam proteger «as crianças e famílias pobres da escassez alimentar».

A nota, a que a agência Prensa Latina teve acesso, é assinada pelo director regional do organismo da agência da ONU, Miguel Barreto. Nela, reconhece que as autoridades de vários países entregam doses de alimentos através de escolas ou em casa, nas quais se incluem arroz, feijões, azeite e farinha de milho, no âmbito de um programa social adaptado às consequências da crise sanitária.

Além das crianças em idade escolar, o PAM considera que existem outros grupos populacionais vulneráveis que também necessitam de apoio, tendo referido adultos idosos, grávidas, lactantes, menores de cinco anos, portadores de HIV e famílias com baixos rendimentos. Defendeu que as autoridades devem agir rapidamente, uma vez que estes grupos correm o risco de ser «empurrados ainda mais» para «a pobreza e a fome», em virtude da situação de crise.

No entender do funcionário da ONU, programas sociais concebidos para «diminuir a pobreza» podem ser uma base de resposta, nomeadamente «pensões sociais, subvenções, transferências monetárias ou em espécie, entrega de alimentos e refeitórios económicos».

Mais de 200 milhões de pessoas – um terço da população da região – estão «protegidas», afirmou, sendo que, em 23 países, se aumentou as ajudas monetárias para fazer frente a certas necessidades básicas enquanto as pessoas estão de quarentena.

No entanto, lembrou Barreto, há grupos que carecem de cobertura, como os migrantes e os trabalhadores da chamada economia informal, que enfrentam actualmente situações de «desamparo nesta emergência sanitária», com «grande impacto social e económico».

Recentemente, o PAM alertou que a pandemia de Covid-19 e o seu impacto económico poderiam levar à duplicação, no final de 2020, do número de pessoas que actualmente são afectadas por insegurança alimentar severa: cerca 265 milhões de pessoas é a estimativa do PAM.

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