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Acordo Irão-Síria, primeiro passo para superar as sanções dos EUA

Uma conselheira de Bashar al-Assad louvou o acordo recentemente assinado com o Irão, a nível militar e de segurança, como primeiro passo para ultrapassar as sanções impostas pelos EUA ao país árabe.

O chefe de Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, major-general Mohammad Baqeri, e o ministro da Defesa sírio, Ali Abdullah Ayyoub, dirigem-se à imprensa após a assinatura do acordo entre ambos os países
O chefe de Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, major-general Mohammad Baqeri, e o ministro da Defesa sírio, Ali Abdullah Ayyoub, dirigem-se à imprensa após a assinatura do acordo entre ambos os países CréditosAmmar Safarjalani / Xinhua

Numa entrevista que concedeu sexta-feira passada ao canal de TV iemenita Al Masirah, Bothaina Shaaban disse que Damasco tem muitas outras opções para fazer frente às restricções norte-americanas e que a Síria, tal como o Irão, pode transformar o cerco imposto numa oportunidade.

«Temos muitas opções para derrotar a Lei César», disse a conselheira política e de imprensa do presidente sírio. «A assinatura do acordo militar Irão-Síria é o primeiro passo neste sentido», acrescentou, citada pela PressTV e a Al Manar.

Durante uma visita a Damasco, na quarta-feira passada, o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, major-general Mohammad Baqeri, assinou um acordo com o ministro da Defesa sírio, Ali Abdullah Ayyoub, para reforçar os laços militares e de defesa entre ambos os países.

O acordo ocorreu menos de um mês depois de Washington ter imposto novas sanções à Síria, ao abrigo da chamada Lei César. Esta lei, que entrou em vigor a 17 de Junho, atinge todos os indivíduos e empresas em qualquer parte do mundo que operam directa ou indirectamente na economia da Síria.

Shaaban denunciou que a Lei César é uma «medida ilegal», cuja implementação «equivale a um crime contra a nação síria». A assessora de Assad referiu ainda que a medida norte-americana representa a continuidade da agressão liderada pelos EUA contra a Síria e evidencia a sua hostilidade para com o eixo da resistência.

«A Síria – acrescentou – irá promover a cooperação com outros países-membros da frente da resistência e virar-se para a Rússia e a China».

Coordenação e cooperação com a Rússia

Em declarações ao diário sírio Al-Watan, o embaixador da Síria em Moscovo, Riad Hadad, afirmou ontem que o governo do seu país está a preparar «uma estratégia global para enfrentar o bloqueio e as sanções impostos pelos Estados Unidos e seus aliados no Ocidente».

«Existe uma coordenação e cooperação com a Rússia para fazer frente à guerra económica e isso irá repercutir-se positivamente na situação económica e na vida do cidadão sírio», disse o diplomata ao diário, citado pela Prensa Latina.

Para Hadad, a aliança estratégica entre a Síria e a Rússia mostrou ser capaz de ultrapassar todas as dificuldades provocadas pela coligação hostil, pelo que entende que, também agora, os resultados serão prometedores.

No que respeita à participação da Rússia na reconstrução da Síria, o embaixador revelou que as empresas do país europeu-asiático trabalham actualmente na recuperação de infra-estruturas vitais e em projectos acordados durante reuniões da Comissão Mista para a cooperação económica, comercial e científico-técnica.

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