Trabalhadores da manutenção da refinaria da Petrogal em Sines voltam à greve

A greve de 48 horas dos trabalhadores da manutenção da refinaria da Petrogal em Sines arrancou hoje com adesão de 80%. Os trabalhadores exigem o aumento dos salários e a actualização do subsídio de refeição e lutam conta a precariedade.

Os trabalhadores da manutenção da Refinaria da Petrogal em Sines realizam mais uma greve, persistindo na luta por aumentos salariais
Os trabalhadores da manutenção da Refinaria da Petrogal em Sines realizam mais uma greve, persistindo na luta por aumentos salariaisCréditos / AbrilAbril

Depois de um plenário iniciado às 8h30 da manha, os trabalhadores das empresas do consórcio de manutenção da refinaria da Petrogal em Sines (Efatm, ATM, AC Services, CMN, Efacec, Nice Job e METALICAS) iniciaram greve com uma adesão de cerca de 80%.

Convocaram mais esta greve de dois dias tendo em conta que não tiveram qualquer resposta das empresas do consórcio às suas reivindicações, nomeadamente no que diz respeito ao aumento salarial e à actualização do subsídio de refeição. Durante o período da greve, mostraram também a sua total indisponibilidade para fazer qualquer trabalho suplementar.

Os objectivos da greve, para além do aumento salarial igual para todos os trabalhadores, no valor de 50 euros e com retroactivos, e da actualização do subsídio refeição, também passam pelo pagamento de todo o trabalho suplementar realizado com o valor igual para todos e pelo pagamento do salário no último dia útil do mês aos trabalhadores da Globaltemp e CMN.

«Denunciam que o consórcio, sem critério, já aumentou os salários de alguns trabalhadores. No entanto, a grande maioria não teve qualquer actualização salarial nos últimos sete anos»

Denunciam que o consórcio, sem critério, já aumentou os salários de alguns trabalhadores. No entanto, a grande maioria não teve qualquer actualização salarial nos últimos sete anos.

Os trabalhadores também lutam contra a precariedade e pela integração de 160 trabalhadores temporários.

«O consórcio de manutenção, constituído por várias empresas, tem um total de 180 trabalhadores, mas apenas 20 têm contrato efectivo com a empresa mãe, a EFATM, do grupo Mello», disse à imprensa Pedro Carvalho, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE-Sul).

«Os outros 160 trabalhadores estão em situação de precariedade, só têm vínculo temporário ou a termo incerto com empresas de trabalho temporário, não obstante alguns deles já trabalharem na manutenção da refinaria de Sines há mais de 20 ou 30 anos», acrescentou.

De acordo com o sindicalista, a manutenção da refinaria era assegurada por funcionários da Petrogal, mas a situação alterou-se com o aparecimento das empresas de trabalho temporário.

Entretanto foi solicitada por parte do consórcio de empresas a marcação de uma reunião com os representantes dos trabalhadores para o dia 12 de Dezembro.

Os trabalhadores tinham realizado a última greve no dia 13 de Outubro.

Trabalhores da Petrogal aprovam caderno reivindicativo

Os trabalhadores da Petrogal na refinaria de Sines, aprovaram ontem um caderno reivindicativo com uma proposta de aumentos salariais de quatro por cento, com um mínimo de 50 euros para cada trabalhador.

Segundo Hélder Guerreiro, do SITE-Sul, além da reivindicação de aumentos salariais, com efeitos a partir de 1 de Janeiro de 2017, os trabalhadores da refinaria de Sines querem também um aumento do subsídio de refeição para 11 euros.

«De acordo com a moção que hoje foi aprovada, vamos também apresentar à administração um conjunto de propostas e posições relativas à contratação colectiva, que já foram discutidas e aprovadas nos plenários que estamos a realizar», referiu ontem à imprensa o sindicalista.

A referida moção autoriza também a Comissão Sindical Negociadora a decretar «todas as formas de luta necessárias, incluindo a greve», caso a administração da empresa se recuse a negociar as propostas aprovadas no plenário.

No documento, os trabalhadores da refinaria de Sines pedem ainda que o Ministério do Trabalho assegure as condições necessárias para se proceder à assinatura do texto global de revisão do acordo de contratação colectiva com as petrolíferas privadas.