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|segurança no trabalho

«Quanto vale o suor ou a morte» de um trabalhador dos CTT?

«Não queremos medalhas a título póstumo». O SNTCT/CGTP denuncia a falta de ar condicionado em vários locais de trabalho dos CTT e a ausência de um plano para os giros realizados em horas de calor extremo.

Os carteiros do Centro de Distribuição de Alcobaça e Nazaré exigem a contratação de mais pessoal e melhores condições de trabalho Créditos Manuel Almeida / Agência Lusa

Ao longo da última semana, uma onda de calor atingiu todo o território de Portugal continental. Várias localidades a Sul ultrapassaram os 40ºC por mais de dez dias consecutivos, mas foi a Norte que se bateram os recordes. No Porto, a estação meteorológica de Pedras Rubras registou uma máxima de 38.5ºC, muito próximo do recorde histórico deste local. Em Monção, registou-se a temperatura mais elevada de sempre naquela estação (43ºC); Vila Nova da Cerveira atingiu um novo máximo histórico para o mês de Julho (41ºC) e Viana do Castelo igualou a sua temperatura máxima histórica (39.3ºC).

No Cabo da Roca, o ponto mais ocidental de Portugal, registaram-se 33.7ºC às 5h da manhã. Lisboa também bateu o seu recorde máximo de temperatura mínima com os 28.7ºC sentidos na madrugada de 2 para 3 de Julho. Perante esta situação de calor extremo, com estado de alerta decretado pelo Governo, a administração dos CTT «ignorou» as medidas de protecção impostas pela Protecção Civil, «colocando em risco a saúde e a vida dos trabalhadores»

É exclusivamente uma «lógica de maximização do lucro», afirma, em comunicado, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN). No fundo, «aguardam que existam óbitos para se mostrarem preocupados» enquanto permitem que «muitos dos locais de trabalho» continuem a funcionar sem ar condicionado (ou com o equipamento avariado), como o sindicato diz ser o caso na «Central de Cabo Ruivo, Famões, vários Centros de Distribuição Postal e Lojas a nível nacional».

Os projectos de nova organização dos CTT «na distribuição e as alterações aos horários de trabalho (devido ao aumento dos preços dos combustíveis)», estão a forçar os trabalhadores dos correios a pegar ao serviço mais tarde, «expondo-os ainda mais às temperaturas extremas». O SNTCT exige a «tomada de medidas urgentes, desde logo a existência da jornada contínua e a adaptação dos horários às condições climatéricas» antes que as más condições vitimem um trabalhador: «o vosso lucro não pode ser superior à nossa saúde, ou à nossa vida».

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