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|Turquia

Mais de 100 detidos em protestos contra a NATO, antes da cimeira em Ancara

Com bandeiras comunistas e turcas, cartazes e palavras de ordem a exigir a saída da NATO do país, centenas de pessoas manifestaram-se na capital da Turquia, desafiando a proibição total de mobilizações.

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Manifestação em Istambul contra a NATO Créditos / @istanbul_tkp

Este domingo, na antevéspera do início da 36.ª Cimeira da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), mais de cem pessoas foram detidas em Ancara, no contexto de uma manifestação contra a cimeira, que se realiza ali esta terça e quarta-feira, desafiando a proibição imposta a todo o tipo de protestos na cidade.

O Partido Comunista da Turquia (TKP) foi o principal promotor da marcha até à Praça Kızılay, no centro da cidade, durante a qual os manifestantes gritaram palavras de ordem contra a Aliança Atlântica e em defesa da soberania nacional.

A Polícia interveio de imediato, cercou os manifestantes e prendeu mais de cem participantes no protesto, incluindo militantes e dirigentes do partido. Numa das suas contas de Twitter (X), os comunistas turcos denunciaram o recurso à força por parte das autoridades, tendo informado que vários manifestantes ficaram com as cabeças partidas e que outros sofreram fracturas nos braços e nas costelas.

Detenções e ataque às liberdades

No final de Junho, o governador de Ancara decretou a proibição total de todas as reuniões, marchas, concentrações e protestos na província entre 28 de Junho e 10 de Julho, alegando razões de «segurança nacional» e de «ordem pública», no contexto da celebração do conclave da NATO.

Organizações de defesa dos direitos humanos insurgiram-se contra a medida, classificada como um ataque aos direitos e liberdades, e o TKP criticou o cerceamento das liberdades «simplesmente porque os líderes da NATO, a maior organização terrorista do mundo, estarão em Ancara».

Antes, a 23 de Junho, já o governo turco havia levado a cabo uma vaga de detenções «preventivas», no âmbito da qual foram presas pelo menos 225 pessoas, muitas das quais permanecem detidas em regime de prisão preventiva ou domiciliária.

As operações «anti-terroristas», que, de acordo com várias fontes, também abrangeram jornalistas, activistas e académicos em diversos pontos do país, foram criticadas por outros partidos turcos, que denunciaram a limitação de direitos e liberdades no contexto da realização cimeira, e a transformação da Turquia num «centro de detenção».

Milhares nas ruas contra a NATO

Além do protesto em Ancara, realizado em condições que o TKP caracteriza como um «estado de excepção de facto», milhares de pessoas mobilizaram-se contra a Cimeira da NATO de 7 e 8 de Julho em Istambul, Esmirna, Adana, Samsun e Çanakkale.

Em Istambul, a maior cidade do país, milhares marcharam entre a Praça Taksim e Dolmabahçe, denunciando as acções do imperialismo e do sionismo, exigindo a saída da NATO do país e o fim das bases estrangeiras, sublinhando que o povo turco jamais se curvará perante os imperialistas e os seus colaboradores, refere o portal soL.

Dirigindo-se aos manifestantes no final da manifestação em Istambul, o secretário-geral do TKP, Kemal Okuyan, enalteceu os protestos contra a NATO, uma organização que classificou como «sanguinária», e a cimeira de Ancara em vários pontos do país, sublinhando que a capital não podia ficar em silêncio e que o partido não deixaria que Ancara fosse entregue aos «apoiantes da NATO».

A 36.ª Cimeira da NATO, que se realiza hoje e amanhã na capital turca, deve contar com a participação de 52 representantes e chefes de Estado dos 32 países-membros, bem como com a de vários convidados.

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