A contestação está a crescer entre os trabalhadores dos postos de combustível, parques de estacionamento e garagens em Portugal. Num comunicado contundente, o Sindicato dos Empregados de Escritório, Serviços e Comércio (CESP/CGTP-IN) acusa a associação patronal Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC) de tentar «tirar direitos» aos operadores e assistentes, num contexto de sobrecarga de funções e salários considerados insuficientes.
De acordo com o documento, a proposta da patronal visaca eliminar o complemento de subsídio de doença. Este mecanismo obriga as entidades patronais a pagar a diferença entre o valor pago pela Segurança Social ou seguro e o salário habitual do trabalhador durante a baixa médica. «O CESP conseguiu travar este ataque na mesa negocial», sublinha o comunicado, destacando a vitória temporária nas negociações do Contrato Colectivo de Trabalho.
No entanto, os trabalhadores denunciam que as empresas estão a recorrer a outras estratégias para aumentar a pressão sobre quem está na linha da frente. Há queixas de que as entidades patronais pretendem «alargar as funções» dos operadores, transformando-os em «pau para toda a obra». Entre as tarefas impostas, segundo o comunicado, estão a limpeza total das instalações e o apoio em cafetarias e confecção de alimentos, sem que haja um reforço salarial correspondente.
A redução do número de trabalhadores por turno para «apenas um ou dois» é outro dos pontos de discórdia, agravando a intensidade laboral e colocando em causa o direito à pausa para refeição.
O sindicato salienta ainda a recusa das empresas em valorizar as carreiras e aumentar os salários, num momento em que o custo de vida disparou. A crítica é particularmente incisiva ao contraste entre os lucros do sector e as remunerações pagas: «Numa qualquer manhã, num posto de combustível ou num parque de estacionamento, vemos entrar na caixa o que levamos para casa num mês!».
Perante o impasse, o CESP apela à mobilização dos trabalhadores, convocando a participação em plenários e incentivando a sindicalização. «Vamos à luta! És imprescindível no trabalho! És imprescindível na luta!», remata o comunicado.
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