No início do mês, o Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE/CGTP-IN) formalizou um pré-aviso de greve para os dias 11 a 16 de Maio. Segundo a estrutura sindical, a direcção da Fundação Casa da Música instalou um «estado caótico» na instituição, marcado por «autoritarismo e um desrespeito profundo pelos trabalhadores».
Para o CENA-STE, toda esta situação resultou na imposição unilateral do novo modelo de carreiras, a 1 de Abril, um sistema «absurdo, discriminatório e mal desenhado» que, sob o pretexto de anunciar «grandes aumentos», na prática deixou vários trabalhadores sem aumentos salariais e outros com progressões irrisórias em relação a 2025.
Mais grave ainda é, na perspectiva do sindicato, a forma como o novo modelo apaga décadas de experiência profissional, uma vez que trabalhadores com mais de 20 anos de casa foram colocados em níveis iniciais de carreira, equiparados a recém-contratados, e vêem agora a sua progressão dependente de avaliações de desempenho futuras.
A acrescentar a este cenário, verificam-se ainda diferenças salariais dentro da Casa da Música, onde um novo trabalhador pode auferir apenas 10% do salário do administrador-delegado.
Foram todos estes elementos que levaram o CENA-STE a convocar uma greve que exigia «a revisão urgente do modelo de carreiras instituído unilateralmente pelo Conselho de Administração da Fundação Casa da Música». Mas eis que,nas vésperas da paralisação, foi anunciado que «o Conselho de Administração da Fundação Casa da Música, a Comissão de Trabalhadores e o Sindicato CENA-STE acordaram iniciar, desde já, uma revisão ao modelo de carreiras instituído na Fundação a 1 de Abril de 2026».
Em comunicado conjunto enviado às redações, as três partes adiantam que «a revisão será realizada em negociação e com vista a um acordo entre as partes», pelo que «esta deliberação resulta, no imediato, na desmarcação da greve dos trabalhadores da Casa da Música convocada para os dias 11 a 16 de Maio de 2026».
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