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«Nada justifica» despedimentos na Autoeuropa, diz sindicato

A empresa beneficiou do lay-off e agora quer despedir 120 trabalhadores com contratos a prazo, apesar de prever um aumento da produção. SITE Sul reúne-se com a administração a 23 de Setembro.

CréditosMário Cruz / Agência Lusa

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul (SITE Sul/CGTP-IN) alerta num comunicado que, juntamente com a sua Comissão Sindical na Volkswagen Autoeuropa, teve conhecimento de trabalhadores contratados a prazo, maioritariamente da área das carroçarias, que foram informados pela empresa de que os seus contratos de trabalho não iriam ser renovados, nem passariam a efectivos.

Segundo o sindicato, a comunicação «contraria a prática mais recente da empresa», que «retomou o horário AE19 [Acordo de Empresa de 2019], após a paragem das férias de Verão, argumentando que é preciso recuperar a produção do T-ROC e salvaguardar o emprego».

O SITE Sul adianta que a empresa «já sabia» que o modelo Sharan/Alhambra «ia ter uma quebra até final de 2020», apesar de agora invocar uma redução da produção para justificar o despedimento destes 120 trabalhadores contratados a prazo, que, alerta, «estão a ganhar formação» e «serão necessários [...] para dar continuidade aos bons resultados desta unidade fabril de referência no sector automóvel.

«Face à retoma do horário AE19, à desmarcação de dias de férias colectivas (3 e 4 de Outubro) e ao recurso a trabalho extraordinário já anunciado para o feriado (5 de Outubro) devido ao aumento da produção, nada justifica o despedimento, a não ser o aumento do lucro à custa do sacrifício dos trabalhadores e respectivos postos de trabalho», lê-se na nota.

Para o SITE Sul, o cenário agrava-se pelo facto de a administração da Autoeuropa, com o apoio do Governo e à boleia da Covid-19, ter contribuído para a descapitalização da Segurança Social, através do lay-off simplificado e de outros benefícios para situações de crise empresarial. 

Agora, critica, «quer deixar estes trabalhadores no desemprego, num contexto social altamente complexo, depois de eles terem contribuído para o sucesso da empresa».

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