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Despedimento de Cristina Tavares foi «retaliação» da corticeira, afirma inspectora

O Tribunal do Trabalho da Feira iniciou, na tarde desta segunda-feira, o julgamento referente ao recurso interposto pela corticeira Fernando Couto, que não concorda com a multa aplicada pela ACT.

Créditos / CGTP-IN

O recurso foi interposto pela corticeira Fernando Couto, uma vez que não concorda com a multa de 11 mil euros aplicada pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), sobre o alegado despedimento abusivo de que foi alvo Cristina Tavares.

Por sua vez, a inspectora da ACT considerou que o despedimento da trabalhadora foi uma «retaliação» da empresa pelas denúncias que Cristina Tavares e o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte (SOCN/CGTP-IN) fizeram a este organismo, relacionadas com o assédio moral.

A empresa, com o despedimento, «reagiu à intervenção da ACT e à exposição [mediática] que teve e que não foi positiva», referiu a inspectora.

Denúncia de factos que disse terem sido apurados nas várias fiscalizações efectuadas à corticeira e que deram origem ao levantamento de autos e, em alguns casos, ao pagamento de coimas.

Aquando do despedimento, a empresa sustentou a sua decisão considerando que as declarações da trabalhadora aos órgãos de comunicação social tinham contribuído para a má imagem da corticeira e com isso causado elevado prejuízo monetário.

Cristina Tavares, que também prestou declarações em Tribunal, disse que nunca foi sua intenção difamar a empresa. «Dei tudo por tudo àquela empresa e nunca quis difamar. Estava apenas a tentar recuperar o meu posto de trabalho.»

Cristina Tavares foi despedida em Janeiro de 2017, por alegada extinção do posto de trabalho, mas o tribunal considerou o despedimento ilegal e determinou a sua reintegração na empresa. Em Janeiro de 2019, a empresa corticeira voltou a despedi-la acusando-a de difamação, depois de ter sido multada pela ACT, que verificou no local que tinham sido atribuídas à trabalhadora tarefas improdutivas, carregando e descarregando os mesmos sacos de rolhas de cortiça, durante vários meses.

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