|Repressão patronal

Cristina Tavares alcança nova vitória e vai ser reintegrada

A trabalhadora Cristina Tavares, que foi despedida duas vezes pela corticeira Fernando Couto, em Santa Maria da Feira, vai ser reintegrada na empresa, na sequência de um acordo, avança sindicato.

Cristina Tavares no fim da marcha solidária contra o seu despedimento que juntou dezenas de pessoas em Santa Maria de Lamas, 19 de Janeiro de 2019
Cristina Tavares no fim da marcha solidária contra o seu despedimento que juntou dezenas de pessoas em Santa Maria de Lamas, 19 de Janeiro de 2019 CréditosESTELA SILVA / LUSA

A informação foi avançada esta manhã pelo presidente do Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte (SOCN/CGTP-IN), Alírio Martins, à porta do Tribunal da Feira, onde iria começar a ser julgada a acção de impugnação do segundo despedimento.

«A trabalhadora vai começar a trabalhar no dia 1 de Julho, exercendo as mesmas funções que tinha antes de ser despedida», avançou o dirigente sindical à Lusa, adiantando que as duas partes ainda estão reunidas a ultimar os pormenores do acordo.

Segundo Alírio Martins, Cristina Tavares poderá ainda vir a receber uma indemnização por «danos morais».

Em causa estava a repressão patronal sistemática contra a trabalhadora, depois de ter sido reintegrada em Maio de 2018 por ordem judicial, após um outro despedimento ilegal. A operária foi isolada pela empresa dos colegas e obrigada a «carregar e descarregar os mesmos sacos com mais de 15/20 kg para a mesma palete», num ambiente que atingia «temperaturas muitas vezes superiores aos 40/45 ºC».

A denúncia pública das acções de repressão pelo SOCN, que caracterizou a situação como um «autêntico inferno», gerou uma onda de solidariedade para com a trabalhadora e deu origem a múltiplas contra-ordenações da Autoridade para Condições do Trabalho (ACT) sobre a empresa Fernando Couto Cortiças, no valor global de quase 50 mil euros.

Em Janeiro passado, a empresa corticeira voltou a despedir Cristina Tavares, acusando-a de difamação, dois dias após ter sido multada pela ACT. Desde então a trabalhadora estava a travar uma batalha legal, com o apoio do SOCN, contra a Fernando Couto, exigindo ser reintegrada na empresa nas suas antigas funções de operária corticeira.


Com agência Lusa

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