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Terminou jornada de luta ao fim de 20 dias

Declarada insolvência na antiga Triumph

A confirmação foi dada, esta quarta-feira, pela administradora de insolvência. Ao fim de 20 dias de vigília, os 463 trabalhadores da Triumph acabam sem emprego com o encerramento da fábrica mas garantem os pagamentos em atraso e as indemnizações

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Os trabalhadores da Gramax (ex-Triumph), com os salários e subsídios em atraso desde Novembro de 2017, perderam os seus postos de trabalho após ter sido decretada a insolvência da empresa
Os trabalhadores da Gramax (ex-Triumph), com os salários e subsídios em atraso desde Novembro de 2017, perderam os seus postos de trabalho após ter sido decretada a insolvência da empresaCréditosTIAGO PETINGA / LUSA

Os trabalhadores da Gramax (antiga Triumph) obtiveram ontem a confirmação da insolvência da fábrica, dada pela administradora de insolvência, em reunião com a comissão de trabalhadores ao final da tarde.

Cá fora, a decisão foi acolhida com alegria mas também com tristeza. Por um lado, os trabalhadores estão contentes por acabar a incerteza e seguirem a sua vida com aquilo a que têm direto, por outro, a fábrica à qual dedicaram a sua vida acaba fechada, e com ela os 463 postos de trabalho, «uma empresa sem dívidas, que tem mercado, com viabilidade e que tem o conhecimento e saberes dos trabalhadores».

Com a insolvência decretada, os trabalhadores vão poder aceder ao subsídio de desemprego e ao fundo de garantia social. As primeiras cartas entrarão já na sexta-feira, tendo em conta a necessidade urgente para fazer face às despesas, enquanto aguardam que lhes sejam pagos cinco dias do mês de Novembro, o mês de Dezembro, o subsídio de Natal e ainda as indemnizações a que têm direito.

Estes estavam em vigília à porta da empresa desde 5 de Janeiro para impedir a saída das máquinas e exigir os salários em atraso, depois de terem tomado conhecimento de que a administração tinha iniciado um processo de insolvência.

«Um crime económico»

Há vários meses sem salários e sem acesso ao subsídio de desemprego, com uma forte angústia por não terem como pagar as contas ou arranjar comida para levar para casa, os trabalhadores da empresa mantiveram-se dia a dia à porta da fábrica, sob frio e chuva, para salvaguardar o património. 

Seriam essas «as garantias para os subsídios em atraso e para as eventuais indemnizações», explicou Mónica Antunes, delegada do Sindicato dos Têxteis do Sul (Sintevcc/CGTP-IN) e trabalhadora na fábrica.

Agora, com um sentido de «dever cumprido», os trabalhadores vão finalmente seguir com as suas vidas. Só lamentam que não tenha sido possível encontrar uma solução para que a empresa continuasse a laborar.

«Pode depois aparecer à posteriori um investidor, porque nós estamos dispostas a trabalhar. Nós estamos aqui para trabalhar», reiterou Mónica Antunes. Já o presidente da Câmara de Loures afirmou que o encerramento da fábrica se trata de «um crime económico» e «um problema sério para o nosso País».

No mesmo dia, em debate no parlamento sobre o tema, o Governo admitiu ter falhado, através do secretário de Estado Adjunto e do Comércio, que «chegados aqui, é inegável que este processo não obteve o sucesso desejado por todos».

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