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Câmara de Loures reforça solidariedade para com trabalhadores da Triumph

Uma conta solidária, um concerto e almoços entregues pela Câmara de Loures são algumas das medidas anunciadas esta terça-feira para ajudar os 463 trabalhadores da antiga fábrica da Triumph. As iniciativas fazem parte de um esforço conjunto com trabalhadores e sindicatos para resolver os problemas sociais.

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O presidente da Câmara da Loures anunciou as medidas aos trabalhadores nesta manhã
O presidente da Câmara da Loures anunciou as medidas aos trabalhadores nesta manhãCréditosMIGUEL A. LOPES / LUSA

As medidas foram anunciadas esta terça-feira numa conferência de imprensa, promovida pela Câmara de Loures, sobre a situação social na ex-Triumph e o anúncio de novas acções. Nela, participaram ainda Libério Domingues, da União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP-IN), e Mónica Antunes, da Comissão Sindical da empresa e do Sindicato dos Têxteis e Vestuário do Sul (Sintevcc/CGTP-IN).

Junto ao piquete, o presidente da Câmara, Bernardino Soares (CDU), anunciou que esta vai passar a trazer almoços para o refeitório da fábrica, que deixou de ter refeições. 

Bernardino Soares revelou ainda que, no dia 18 de Fevereiro, decorrerá um concerto solidário com artistas nacionais, às 16h, no Pavilhão do Sport Grupo Sacavenense. O produto da venda dos bilhetes será para ajudar estes trabalhadores, em dificuldades no pagamento das contas do mês.

Além desta iniciativa, os sindicatos e trabalhadores abriram também uma conta solidária para fazer face às situações mais urgentes, cujo número será disponibilizado no site da Câmara.

Em declarações ao jornalistas e trabalhadores presentes, o presidente considerou que «é um impacto muito grande, se a empresa fechar. (...) são muitos trabalhadores e trabalhadoras (...). Mas eu acho que é mais do que isso, é um problema sério para o nosso País, que precisa de unidades produtivas e esta fábrica, que está cá há quase de 60 anos, tem qualidade produtiva, tem gente muito capacitada para a produção nesta área do têxtil e é quase um crime económico não aproveitar esta potencialidade».

Processo de insolvência já tem administradora

Na segunda-feira foi conhecido que o tribunal nomeou uma administradora de insolvência, que deverá reunir com os trabalhadores às 16h15 de quarta-feira.

«Agora esperamos para ouvir o que a sr.ª administradora da insolvência tem para nos dizer. Depois disso logo se vê o que vamos fazer», disse Mónica Antunes, trabalhadora e dirigente sindical, salientando que a vigília vai continuar «até a administradora resolver todo este processo».

«Nós queremos trabalhar, mas também queremos os nossos direitos. Paguem-nos o que é nosso por direito e depois, se pensarem que isto é viável ou não, nós estamos cá para trabalhar», salientou Mónica Antunes.

Uma vida dedicada à empresa

A fábrica da antiga Triumph, situada na freguesia de Sacavém, concelho de Loures, foi adquirida no início de 2017 pela TGI-Gramax e emprega actualmente 463 trabalhadores.

A generalidade destes trabalhadores, que têm entre os sete e os 51 anos de casa, está sem receber ordenado há 56 dias, mais o subsídio de Natal. 

Graça Silveira, na empresa há 29 anos, fez parte do primeiro piquete de vigília e não arreda pé da porta da empresa para receber o que é seu, porque «as contas do mês não podem esperar».

«Estou aqui porque sou mulher e respeito-me como tal e luto por aquilo que é meu, pelos meus direitos, porque é isso que eu estou a pedir, pelos meus e das minhas colegas, e para mostrar ao País que não tenham medo de lutar», afirmou a trabalhadora.

«Não merecíamos», reiterou Graça, expressando a sua desilusão pois, «sempre produzimos tudo o que nos era pedido e a horas e sempre na maior perfeição, porque era exigida muita qualidade, e sinto-me muito revoltada. Porque nós somos seres humanos, não somos lixo que eles varram e metam ao canto. Agora já não prestamos, agora vão partir para outros países».


Com agência Lusa

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