|CESP

Com lucros históricos e «repressão», Sonae recusa exigências dos trabalhadores

A Sonae fechou os primeiros nove meses de 2025 com um resultado líquido superior a 38% face ao período homólogo. Apesar disso, a empresa recusou todas as propostas apresentadas pelos trabalhadores para 2026. O sindicato denuncia ainda repressão realizada na greve geral e denuncia casos de trabalhadores que «estão a ser prejudicados por motivos raciais».

CréditosFernando Veludo / Agência Lusa

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) revelou hoje que a Sonae MC recusou integralmente as propostas apresentadas pelos trabalhadores para 2026, durante uma reunião realizada no passado dia 29 de Janeiro, na Maia.

A empresa terá rejeitado todas as reivindicações do Caderno Reivindicativo, que incluíam aumentos salariais, contratação de pessoal, melhores condições de trabalho e benefícios sociais, apresentando justificações que o sindicato classifica como «inaceitáveis».

De acordo com o comunicado do CESP, a Sonae recusou aumentar o salário de entrada para os 1050 euros, bem como a proposta de subida de 15%, com o mínimo de 150 euros, para todos os trabalhadores. O sindicato relembra que «os salários representam apenas 12% dos custos da Sonae», onde se incluem «os 2000 milhões de salário da CEO», sublinhando que «a Sonae tem todas as condições para aumentar os nossos salários».

A empresa terá também afirmado que não vai contratar mais ninguém para reforçar equipas, nem sequer para substituir saídas, alegando que «o orçamento é gasto pelo pessoal e pela electricidade». Para o CESP, esta posição demonstra que «a Sonae prefere focar-se no “custo da luz” do que na nossa dignidade».

O CESP recorda também que "em 2025, a Sonae lucrou 200 milhões de euros até Setembro, um aumento de 38% em relação a 2024», e alerta que «sem o nosso trabalho, as lojas do Continente, Wells, Worten, Meu Super, e de todas as outras marcas da Sonae não abrem».

Como se tal não fosse suficiente, o CESP denunciou também que os representantes dos Recursos Humanos da Sonae admitiram ter questionado diretamente os trabalhadores sobre as suas intenções de aderir à greve geral do passado dia 11 de Dezembro, justificando essa prática com a «logística dos transportes», algo ilegal que, de acordo com a estrutura sindical, consubstancia «uma forma de pressão e repressão».

Nesse sentido, o CESP revelou que está a finalizar um «processo da queixa-crime», e denunciou ainda casos de trabalhadores que «estão a ser prejudicados por motivos raciais».
 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui