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«Corticeiros continuam a empobrecer a trabalhar»

«No País que é o maior produtor mundial de cortiça», patrões consideram 56,8 cêntimos por dia «o maior aumento do século». Trabalhadores mantêm reivindicações e partirão para novas acções de luta.

O anúncio do «maior aumento salarial do século» divulgado pela Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), no passado fim-de-semana, vem agora ser rebatido pelos representantes dos trabalhadores.

A Federação Portuguesa Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (Feviccom/CGTP-IN) declarou, em comunicado, que a distribuição da riqueza no sector corticeiro está «profundamente desequilibrada», já que o aumento de 17,06 euros corresponde a 56,8 cêntimos por dia. Dão o exemplo da Corticeira Amorim cujos lucros em 2018 aumentaram 6%, o que corresponde a um valor de 77,4 milhões de euros.

A nota acrescenta que, se em 2009 o peso das remunerações na riqueza criada era de 62,3%, em 2016 diminuiu para 41%. «Os corticeiros estão a empobrecer a trabalhar: a sua produtividade e esforço têm vindo a aumentar, mas o peso dos seus salários tem vindo a cair face à riqueza criada!», afirmam.

No decorrer das negociações, os sindicatos dizem que a APCOR rejeitou propostas como o alargamento das diuturnidades para todos os trabalhadores; o pagamento de complemento de subsídio de doença profissional; e a introdução de nova cláusula sobre a proibição do assédio no trabalho.

Os trabalhadores rejeitam as declarações da APCOR de que o sector não pode suportar um aumento salarial superior a 17,06 euros mensais, tendo em conta os resultados das empresas. Serão decididas novas acções de luta até ao final deste mês.

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