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CGTP: «Subida dos preços exige robusto aumento dos salários»

A central sindical critica o modelo de baixos salários vigente no nosso país e apela a que o voto nas eleições de 30 de Janeiro exija uma alteração das opções e das políticas, de forma a acabar com a pobreza.

Refeitório do Centro de Apoio Social dos Anjos
CréditosMiguel A. Lopes / Agência Lusa

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os preços subiram 2,8% entre Dezembro de 2020 e Dezembro de 2021, acelerando face aos meses anteriores. O aumento foi especialmente acentuado nos produtos energéticos (mais 11,2%) e nos produtos alimentares não transformados (mais 3,2%).

A agravar a situação, constata a CGTP-IN, através de comunicado, estão novas subidas que se farão sentir já este mês. Electricidade, gás, telecomunicações, transportes, portagens, alimentação e seguros são algumas das áreas geridas por grandes empresas privadas que têm aumentos anunciados para este ano.

«Esta dinâmica, captada em parte pelo índice de inflação, não pode ser desligada de outros factores que afectam o custo de vida, sendo os custos com a habitação um dos mais importantes», atenta a central sindical, lembrando a evolução dos preços da habitação própria, bem como das rendas de habitação dos novos contratos, que tiveram subidas homólogas de 9,9% e de 7,4%, respectivamente, no terceiro trimestre de 2021.

A CGTP-IN regista que o crescente desfasamento entre a evolução dos rendimentos, particularmente dos salários e das pensões, e o aumento do custo de vida tem reflexos no aumento da pobreza e exclusão social no nosso país. 

No espaço de um ano, a pobreza afectou mais 230 mil pessoas e a população pobre ou em exclusão social ultrapassava os 2,3 milhões no final de 2020. Entretanto, a pobreza aumentou também entre quem trabalha, «contrariando o discurso oficial e confirmando um enorme impacto, bem superior ao propalado pelo Governo», lê-se na nota.

A central sindical entende que a degradação das condições de vida para a generalidade da população «não pode ser desligada» do impacto do aumento dos preços no poder de compra dos salários e de outros rendimentos, que se têm mantido estagnados. Neste sentido, reivindica a urgência do aumento geral dos salários de todos os trabalhadores, incluindo um maior aumento do salário mínimo nacional, e também das pensões, a par do combate à precariedade e de um aumento da protecção no desemprego e de outras prestações sociais.

Aproveitando a oportunidade das eleições legislativas de 30 de Janeiro, a CGTP-IN apela a que o voto dos trabalhadores exija uma alteração das opções e das políticas que instituíram o modelo de baixos salários no nosso país. «Com o seu voto, os trabalhadores têm o poder de eleger deputados que garantam essa resposta e que, com a sua acção e intervenção dêem expressão à luta desenvolvida nas empresas e locais de trabalho pela elevação das condições de trabalho e de vida», sublinha.

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