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Carteiros em luta contra o despedimento de trabalhadores acidentados

Os trabalhadores dos CTT vão fazer uma greve solidária, dia 13, contra «o despedimento ilícito» de um carteiro acidentado e que, denuncia o sindicato do sector, é usado como «cobaia» para mais despedimentos.

Os CTT foram totalmente privatizados em 2014, pelo governo do PSD e do CDS-PP
Os CTT foram totalmente privatizados em 2014, pelo governo do PSD e do CDS-PPCréditosManuel Almeida / Agência LUSA

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN) acusa «a gestão dos CTT» de usar um trabalhador acidentado como «cobaia», num «processo de contornos kafkianos», para «avançar para o despedimento de todos os trabalhadores vítimas de acidentes de serviço ou de trabalho» ou com «outras incapacidades».

António Neto Cunha, trabalhador do Centro de Distribuição Postal de Ermesinde (município de Valongo), sofreu «um acidente de serviço no trajecto do local de trabalho para casa em 1984». Ficou com «lesões irreversíveis», o que levou a Medicina do Trabalho a considerá-lo como «apto condicionalmente» desde 1988, informa o SNTCT num comunicado emitido dia 2.

Em finais de 2011, a empresa decidiu colocar o trabalhador «em serviços internos» e, em Agosto do ano passado, despediu-o, alegando «a cessação do seu contrato de trabalho por caducidade».

Na sequência de uma providência cautelar interposta pela estrutura sindical, o Tribunal de Trabalho de Valongo declarou a «ilicitude do despedimento», condenou os CTT a reintegrarem o trabalhador, a atribuírem-lhe as funções que vinha exercendo e a manterem o pagamento «da sua retribuição e subsídios».

No entanto, a empresa recorreu da sentença «com efeito suspensivo mediante a prestação de caução», o que significa – explica o SNTCT – que «a empresa preferiu pagar a caução ao tribunal a pagar já ao trabalhador os valores devidos em virtude da sentença do procedimento cautelar, demonstrando mais uma vez a falta de consideração» pelo trabalhador, pese embora «saber a situação económica, muito grave, que o mesmo atravessa».

Greve geral nos CTT

No passado dia 20 de Dezembro, após plenários realizados em vários centros de distribuição no Norte do País, onde António Neto Cunha vive, os trabalhadores dos CTT fizeram uma greve em solidariedade com o trabalhador.

Tendo em conta «a flagrante continuação da falta de respeito por Neto Cunha» e «o ataque vergonhoso que a gestão dos CTT lhe está a mover», o SNTCT «decidiu alargar a luta a todo o País e a todos os serviços dos CTT», decretando uma greve geral para dia 13 de Janeiro.

Sublinhando no comunicado que «outros quatro sindicatos meteram pré-aviso [de greve] ou apoiam esta luta», a estrutura sindical alerta que «hoje é Neto Cunha a cobaia» e que, «se não o defendermos, amanhã poderá ser qualquer um(a) de nós, começando pelas centenas de trabalhadores(as) vítimas de acidentes de serviço/trabalho».

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