É o desvirtuar de um modelo de avaliação que «deve basear-se apenas na qualidade do trabalho desenvolvido pelo jornalista, e não no alcance que têm os seus artigos», afirma, em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ). Em causa está o novo modelo de avaliação «híbrido» que o jornal Público quer aplicar já neste mês de Janeiro, «em que 15% da nota dada a jornalistas está dependente de métricas como cliques para assinar o jornal ou pageviews [leituras de página]».
«A qualidade do jornalismo não pode ser avaliada por estas métricas quantitativas, sob pena de subvertemos os princípios básicos do jornalismo», defende o sindicato, alertando que este metódo de avaliação vai levar qualquer jornalista que pretenda subir na carreira a suplementar o seu trabalho com clickbait, contrariando o propósito informativo da profissão para alimentar o sensacionalismo e os algoritmos das redes sociais, à custa dos leitores.
Ser avaliado pelo sucesso da peça representa ainda uma injustiça para estes trabalhadores: «o cumprimento de metas pode ser condicionado por questões técnicas alheias aos jornalistas, e não depende da qualidade da informação produzida». Mesmo numa redação com provas dadas no respeito ético e deontológico, esta medida apenas incentiva os cliques fáceis.
Outro aspecto que preocupa o SJ, «e que colide frontalmente com o espírito da avaliação que preside ao Contrato Colectico de Trabalho», é a imposição de quotas para as notas atribuídas (muito à semelhança da discriminação existente no modelo de avaliação na função pública, o SIADAP). O CCT está desenhado para «servir de base (e apoio) à progressão na carreira, garantindo que o mérito é aquilatado de forma justa e devidamente reconhecido em termos de evolução da remuneração, por isso, sem muros ou comportas de retenção administrativas». Ao invés de promover a justa avaliação individual do trabalho de cada profissional, a imposição de quotas limita o crescimento profissional de cada um e acicata jornalistas contra os restantes colegas da redacção, contra os quais tem de competir para alcançar a sua justa remuneração.
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