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EDP: lucros sobem, distribuição de dividendos aumenta e os salários... não acompanham

A EDP registou lucros recorde de 1353 milhões de euros em 2025, um aumento de 64% face aos 825 milhões do ano anterior. Enquanto os accionistas esfregam as mãos com os dividendos, a Administração recusa a proposta sindical de aumentos salariais de 5,5%, fixando-se nos 2,1%.

Concentração de trabalhadores em greve do Grupo EDP, convocada hoje, 10 de Abril de 2024, pela Fiequimetal/CGTP-IN, enquanto decorre a Assembleia Geral de accionistas da empresa na sede em Lisboa. Nesta assembleia vai ser aprovado um aumento de 15% para a administração que contrasta com o aumento de 3%, abaixo da inflação, para os já salários baixos dos trabalhadores. 
CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

Os lucros da EDP são boas notícias, mas parece que somente para os accionistas. Foi anunciado hoje o resultado líquido da empresa e o valor contrasta com a realidade vivida pelos trabalhadores da empresa. Acontece que o noticiado tem sido um lucro de 1150 milhões de euros, mais 44% que os 801 milhões de euros de 2024, porém é maior. 

Se aos 1150 milhões de euros se incluir o total de interesses não controlados, ou seja, a parte do lucro gerada no grupo mas distribuída a parceiros, o resultado líquido cresce de 825 para 1353 milhões de euros, ou seja, cresce 64%. 

Os dados não ficam, no entanto, por aqui. Em 2025 a EDP pagou 827 milhões de euros em dividendos, mais que o lucro de 2024. Este é, de resto, um dos maiores retratos do contraste entre o que recebem os accionistas e os trabalhadores. Segundo um comunicado da Fiequimetal/CGTP-IN, a Administração da empresa está a propor, para 2026, aumentos salariais de 2,1%, mas balizando o aumento com um valor mínimo de 50 euros, mas também num máximo de 80 euros, claramente longe do que pode pagar.

A federação sindical, que está num processo negocial com a empresa, relembra que «os avanços por parte da Administração podem ir bem mais longe», e apresenta como proposta um aumento de 5,5% com o mínimo de 95 euros; o aumento do subsídio de alimentação em 10%; e a criação de um complemento de risco, aumentos que se encontram ajustadas às margens de lucro apresentadas. 

À leitura dos lucros e das reivindicações sindicais importa somar o número de trabalhadores que diminuiu de 12596 para 11865, algo que pode ter que ver com venda de activos mas não deixa de ser um facto. No entanto, só com o Relatório e Contas se terá uma ideia mais precisa dos impactos nesta área, apesar de desse tipo de documentos revestirem-se de uma certa opacidade. 

Dado todo este contexto de lucros, há ainda o enquadramento tributário. Apesar dos impostos pagos pela EDP terem crescido de 554 milhões para 614 milhões de euros, ou seja, 11%, isso não apaga o facto de na realidade terem baixado, dado que o lucro cresceu 44%.

Este aspecto final articula-se com o Investimento Operacional Consolidado de 2025 da EDP que foi de 3,7 mil milhões de euros. Esse valor foi realizado na América do Norte (35%), Brasil (18%), Portugal (18%), Espanha (11%) e resto do mundo (16%). Dada a subtributação e a recusa em garantir melhores salários aos trabalhadores, os 18% indicam que há uma claro desinvestimento em Portugal.
 

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