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Unidades da Linha de Cascais e Intercidades ultrapassaram vida útil

De todo o material circulante ao serviço, há 88 unidades que ultrapassaram a sua vida útil durante a governação do PSD e do CDS-PP e ainda não foram substituídas.

Um comboio da CP percorre a linha de Cascais antes de chegar à estação da Cruz Quebrada, em Oeiras. 23 de Junho de 2014
Um comboio da CP percorre a linha de Cascais antes de chegar à estação da Cruz Quebrada, em Oeiras. 23 de Junho de 2014CréditosMário Cruz / Agência LUSA

O levantamento foi feito pelo PCP, que apresentou no final da semana passada um projecto de resolução em que propõe a criação de um Plano Nacional de Material Circulante Ferroviário.

Os dados relativos às composições da CP resultam de um levantamento feito pela comissão de trabalhadores da empresa. Todas as unidades que estão a assegurar o funcionamento da linha de Cascais atingiram o limite da sua vida útil em 2013 e 57 das 102 carruagens dos Intercidades ultrapassaram-na em 2015.

De acordo com o documento, há ainda 19 unidades ao serviço na rede não electrificada de via larga cujo concurso para a sua substituição já deveria ter sido lançado, dado que chegam ao limite da sua vida útil em 2020.

Plano com produção nacional

Os comunistas querem que seja adquirido com urgência o material circulante para substituir as unidades que já ultrapassaram a sua vida útil e que comecem a ser preparadas as compras que vão ser necessárias nos próximos 15 anos, para que não se repita a situação que se vive actualmente.

É ainda recomendado ao Governo que, no processo, seja garantida a «máxima incorporação nacional» no processo produtivo do material circulante e que a sua manutenção e reparação sejam mantidas nas empresas públicas nacionais.

De acordo com dados avançados pelo PCP, a idade avançada da frota ferroviária implica uma despesa adicional de 40 milhões de euros em manutenção e reparação. A este valor somam-se 200 milhões de euros em aluguer de material já envelhecido ao estrangeiro ao longo dos próximos 20 anos.

PPP são mais caras

Os comunistas reservam ainda fortes críticas às parcerias público-privado no sector, todas com a Barraqueiro. Para além dos metros do Porto e Sul do Tejo, a Barraqueiro detém a concessão para explorar a linha que atravessa a Ponte 25 de Abril, entre Lisboa e Setúbal, através da Fertagus.

«Para não contrair um dado empréstimo, [o Estado] contraiu antes compromissos financeiros muito superiores e a juros insustentáveis», sublinha o PCP no seu projecto de resolução.

A PPP da Fertagus, que já custou mais de 70 milhões de euros ao Estado, valor que ainda pode crescer, termina no final do próximo ano e o PCP tem defendido que esta linha seja integrada na CP – que até é a proprietária do material circulante, actualmente alugado à concessionária.

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