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Apesar dos avisos para carências graves, a CP gastou menos 18% do que o previsto

A CP gastou menos 240 milhões de euros do que tinha orçamentado nos últimos dois anos e meio. No mesmo período, o Governo do PS cumpriu e ultrapassou as metas do défice impostas por Bruxelas.

Um passageiro no interior de um comboio da CP na Estação de Santa Apolónia durante a greve de trabalhadores da Infraestruturas de Portugal (IP), em Lisboa, 2 de Abril de 2018
A CP só investiu 10% do previsto para este ano até Junho. No ano passado, o investimento não ultrapassou 27% do que estava orçamentadoCréditosMário Cruz / Agência LUSA

A empresa pública tem gasto menos dinheiro nos últimos dois anos e meio do que o Governo orçamentou, apesar das necessidades de investimento que a recente sucessão de incidentes na ferrovia tem exposto.

Segundo os números recolhidos pelo Dinheiro Vivo, mais de 18% da verba orçamentada em 2016, 2017 e até Junho deste ano não foi utilizada, ou seja, 240,15 milhões de euros.

Ainda segundo o online, a despesa operacional da empresa (que corresponde aos gastos de funcionamento corrente) tem vindo a cair desde 2009. A CP foi altamente fustigada pelas medidas de redução de despesa do segundo governo de José Sócrates e com a governação do PSD e do CDS-PP. O actual Executivo ainda não foi capaz de inverter a tendência e recuperar os níveis anteriores a 2012.

As comissões de trabalhadores das várias empresas do sector denunciaram recentemente, num documento enviado à Assembleia da República, o crónico desinvestimento na ferrovia, com a degradação do material circulante, da capacidade de manutenção e reparação e da própria infra-estrutura.

No caso da CP, as estruturas apontam para o envelhecimento da frota, que, em parte, já ultrapassou a sua vida útil. As composições da Linha de Cascais, por exemplo, têm 60 anos e ainda não foram lançadas diligências para que sejam substituídas por parte do Governo do PS.

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