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Soares dos Santos: «Dez hospitais chegam e o resto entregar aos privados»

O dono do Pingo Doce, o segundo mais rico de Portugal segundo a lista da Forbes, lamenta não «poder» distribuir dividendos, diz que não tem «nada a ver com os pobres» e propõe entregar a Saúde aos privados.  

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«Dez hospitais no Estado era suficiente», defende o ex-administrador da Jerónimo MartinsCréditosJosé Coelho / Agência LUSA

Numa entrevista ao Observador, Alexandre Soares dos Santos, que em 2018 surgiu no segundo lugar do pódio dos mais ricos da Forbes Portugal, diz que está «farto» de propor a «diferentes primeiros-ministros e ministros das Finanças que criem leis que me permitam distribuir dividendos a quem trabalha e não posso».

O gestor que passou a sede da Jerónimo Martins para a Holanda para fugir ao pagamento de impostos diz que o «nosso sistema é estúpido» e que em Portugal «não há crescimento». Apesar de tudo, diz que não tem «nada a ver com os pobres» e que estes se «fizeram» para «a gente os transformar em classe média e depois subirem, se possível».

Alexandre Soares dos Santos fala sobretudo do «prazer» que lhe dá a Fundação Francisco Manuel dos Santos, a que preside. «Obrigar» as pessoas «a sentir o que é o direito de cidadania» e «o que temos de fazer para não nos queixarmos do Governo» são os propósitos da fundação enunciados por Soares dos Santos, que defende a transferência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o sector privado.

«Quando fala com médicos inteligentes e que não são politicamente ligados a nada em especial, eles dizem-lhe: dez hospitais no Estado era suficiente. Mas dez hospitais de grande categoria, com médicos permanentes e a ganharem bem», sublinha. O resto, acrescenta, seria para «entregar aos privados», sublinhando que «não precisávamos deste gigante [Estado] que suga dinheiro a todo o custo».

Questionado sobre «o conflito» entre a ADSE e os maiores grupos privados de Saúde, sustentado na sobrefacturação de 38 milhões de euros em apenas dois anos, o ex-administrador da Jerónimo Martins diz não ter «a mínima ideia» sobre quem tem razão, partindo de seguida para o ataque à ministra da Saúde, Marta Temido, e aos sindicatos.

«Como é que é possível que uma ministra que tome a pasta hoje estar amanhã reunida com os sindicatos? O que é que ela sabe dos antecedentes, de qual foi a posição dos colegas? Isto tem de ser muito bem estudado, porque os sindicatos não são mais os analfabetos do passado», disse.

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