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Ministro classifica como «empatas» aqueles que querem cumprir a lei

Depois de ter dito que havia dirigentes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas «mentirosos, cobardes e realmente radicais», o ministro da Agricultura voltou à carga e numa entrevista ao ECO classificou como «empatas» aqueles que querem cumprir a lei. 

CréditosHugo Delgado / Agência Lusa

«A legislação que não serve o interesse público, claro que deve ser alterada». Foi assim que José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura, voltou a defender as alterações legais mediante a vontade política do momento. Numa entrevista ao ECO, o governante procurou retratar-se, porém, tal não teve efeito. 

Recorde-se que na passada semana, em reacção a uma notícia do Público, em que fontes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) denunciaram que José Manuel Fernandes acusou o instituto de «emitir muitos pareceres negativos» e de cumprir a lei de forma rigorosa, o ministro disse que «há dirigentes (poucos) mentirosos, cobardes e realmente radicais».

A razão para o desagrado de José Manuel Fernandes é simples: o ministro quer que o ICNF emita pareceres positivos, mesmo quando tal não é possível. Segundo o divulgado por diversos órgãos de comunicação social, segundo fontes próximas ao ICNF, o ministro terá tentou forçar o Instituto a «relativizar a lei», já que «estava a emitir muitos pareceres negativos» ou que contribuía para abrandar o «progresso do país».

Na entrevista publicada esta terça-feira no jornal ECO, o ministro da Agricultura acabou por dizer: «Não queria nenhuma polémica, mas parece que há gente que não quer ser rápida. Temos excelentes dirigentes, os trabalhadores do ICNF ainda neste momento estão a fazer um trabalho brutal». Se numa primeira fase parece que o governante procurou redimir-se, a verdade é que as ofensas voltaram a ser proferidas: «Não aceito que meia dúzia ou menos de empatas ponham em causa o trabalho de todos», disse. 

A entrevista era sobre fundos europeus e o ministro, porém, o ministro não desarmou: «disseram que eu disse que o ICNF dava muitos pareceres negativos. Mentira, não disse isso. Não queria nenhuma polémica, mas parece que há gente que não quer ser rápida. Temos excelentes dirigentes, os trabalhadores do ICNF ainda neste momento estão a fazer um trabalho brutal. Não aceito que meia dúzia, ou menos, de empatas ponham em causa o trabalho de todos», acusou. 

Estes ataques têm levantado alguns alarmes, nomeadamente pela fusão do ICNF com a Agência Portuguesa do Ambiente e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Num exercícios de correlação, dados os anti-corpos do Governo aos pareceres do ICNF, diluição da estrutura do instituto garantir que o Executivo AD deixa de ter entraves, para regozijo de José Manuel Fernandes. 

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