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A demissão da ministra da Administração Interna

O pedido de demissão da ministra surge na sequência das tempestades e dos atrasos do Governo na resposta adequada às populações e autarquias, que ficaram demasiado tempo entregues a si próprias.

A ministra da Administração Interna chega à última reunião da Comissão Nacional de Emergência e Protecção e Civil a que presidiu, em Carnaxide, a 1 de Fevereiro de 2026. Maria Lúcia Amaral apresentou a demissão nove dias depois 
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, ainda presidiu à última reunião da Comissão Nacional de Emergência e Protecção e Civil mas apresentou a demissão nove dias depois CréditosFilipe Amorim / LUSA

A demissão de Maria Lúcia Amaral é também uma oportunidade para o Governo tentar salvar a face, passando para a ministra da Administração Interna o ónus de uma realidade onde se destaca a insuficiência de apoios às populações e autarquias, com milhares de pessoas sem electricidade e comunicações.

Independentemente de considerações sobre a competência e a capacidade da ministra, a questão é que esta realidade da insuficiência na resposta está intrinsecamente ligada à privatização de sectores estratégicos e críticos, como a energia ou as telecomunicações, mas também à degradação dos serviços públicos e ao desmantelamento de estruturas do Estado.

A verdade é que a dimensão dos fenómenos climatéricos mais extremos que o País enfrentou nas últimas semanas não pode justificar tudo. A incapacidade na resposta demonstrada pelo Governo é o reflexo da fragilização do aparelho de Estado e deve alertar as populações para as teorias do Estado mínimo.

Entretanto, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumirá temporariamente a pasta da Administração Interna.

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