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Lucros da Jerónimo Martins continuam a subir

A dona do Pingo Doce lucrou 85 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, mais 7 milhões que no mesmo período de 2017. Em Portugal, o grupo ainda não cumpriu aumentos salariais anunciados.

O presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2017, em Lisboa. 1 de Março de 2018
O presidente do conselho de administração do grupo Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2017, em Lisboa. 1 de Março de 2018CréditosInácio Rosa / Agência LUSA

A Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, apresentou lucros de 85 milhões de euros nos primeiros três meses de 2018, mais 9,1% do que no mesmo trimestre do ano passado, de acordo com um comunicado divulgado esta manhã pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Sem contar com alterações no número de trabalhadores que tenham ocorrido desde o final de 2017, estes resultados permitiam aumentar os salários de todos os trabalhadores do grupo em Portugal, na Colômbia e na Polónia em cerca de 270 euros mensais, mais dez euros do que a projecção feita com base nos lucros anuais do ano passado.

Os trabalhadores do grupo em Portugal, onde funcionam o Pingo Doce e o Recheio, protestaram no passado dia 17, com uma greve nacional e uma concentração junto à sede da empresa, em Lisboa.

Entre as suas reivindicações, contavam-se o aumento geral dos salários e o fim das discriminações. Em comunicado aos trabalhadores, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) denunciou o incumprimento da empresa face aos aumentos anunciados após as lutas do Outubro de 2017, que, ainda assim, foram decididos de forma «discriminatória».

Recorde-se que o Pingo Doce preside à associação patronal do sector (APED), que tem imposto como condição para a negociação do contrato colectivo de trabalho a redução de direitos, como a remuneração do trabalho suplementar e em feriado, e a introdução do banco de horas, assim como a manutenção da tabela B, que impõe menos 40 euros de salário a quem não trabalha nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal.

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