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Regressam as reestruturações boomerang na aviação civil

A imprensa nacional (e a internacional) notícia o caos nos Aeroportos. A maior patronal europeia do sector, a Airlines for Europe, antevê um verão de «caos e longas filas nos aeroportos».

Aviões Airbus 319 da companhia de aviaçãao EasyJet no aeroporto de Luton, Reino Unido, a 4 de Junho de 2020
CréditosPaul Childs / REUTERS

As explicações são rápidas: (1) a recuperação dos índices pré-Covid foi mais rápida que o previsto e (2) faltam trabalhadores no sector, e já não há tempo de formar e contratar. A EasyJet anuncia o corte de milhares de voos este Verão, quatro mil já este mês de Junho. E aponta como causa a falta de tripulantes na empresa e de funcionários nas estruturas aeroportuárias.

Perante um problema que se agiganta e torna incontornável, os principais responsáveis pelo problema tratam de distrair a opinião pública, de desviar as atenções das suas próprias responsabilidades.

A recuperação dos índices pré-Covid foi mais rápida do que o previsto apenas porque se usaram sempre os cenários mais pessimistas. E usaram-se os cenários mais pessimistas porque eram estes que facilitavam o objectivo de aproveitar a crise para impor um corte salarial sério no sector da aviação, para despedir milhões de trabalhadores, para degradar as condições de trabalho, para reestruturar empresas e sectores. É a própria Comissão Europeia que estima uma redução de 7 milhões de postos de trabalho no sector aéreo na sequência da crise gerada pela pandemia. As companhias receberam mais de 300 mil milhões de euros de apoios públicos para evitar o colapso do sector, mas também aproveitaram para reestruturar e para despedir, umas vezes por moto próprio, noutras ocasiões empurradas pelas instituições públicas, como aconteceu à TAP.

Em Portugal esta questão ficou bem registada na oposição do PCP ao plano de reestruturação da TAP e da Sociedade Portuguesa de Handling (SPDH), e às medidas da ANA, apesar dessa discussão ter sido menos pública. Recordemos que na altura o PCP insistia na necessidade de um «plano de contingência» que amparasse o sector num momento de paralisação da sua actividade por efeito de uma pandemia global, mas que garantisse que o sector estava em condições de arrancar em pleno assim que essas condições fossem vencidas. Mas o Governo PS, a Comissão Europeia, o PSD e quejandos preferiram o caminho da reestruturação, da liquidação de empregos, da redução salarial, da externalização de funções. As mesmas forças defensoras do capitalismo liberal operaram no mesmo sentido em vários outros países europeus.

Agora, os mesmos que trataram de despedir 7 milhões de trabalhadores, que cortaram os salários a muitos milhões de outros, que entregaram ainda mais sectores à subcontratação, que reduziram o número de efectivos na administração pública, clamam indignados contra a falta de trabalhadores. Quando a única responsabilidade que pode ser endossada aos trabalhadores é de não terem conseguido travar – pela luta, não há outra forma – aqueles que aproveitaram a pandemia para aumentar a taxa de exploração no sector aéreo.

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