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PSD tem «caras novas», mas as políticas são as mesmas

Os sociais-democratas apresentaram como novas propostas que o PSD defende há muito. Sem novidades, Rio optou pela desvalorização dos avanços alcançados com a actual solução política.

Rui Rio discursa durante a Festa do Pontal, em Monchique, 31 de Agosto de 2019 CréditosLuís Forra / Agência Lusa

A tradicional Festa do Pontal mudou-se este ano para Monchique, onde o PSD fez a sua rentrée política, com candidatos e dirigentes partidários, e onde emergiu o discurso do seu líder perante uma plateia onde não marcaram presença muitas caras conhecidas dos sociais-democratas.

Aliás, Rui Rio iniciou o seu discurso com referência às caras novas nas suas listas, enfatizando a renovação.

No ataque ao Governo, e para tentar escudar-se de responsabilidades na actual situação do País, o presidente do PSD decidiu relembrar que «aquilo que foi feito pelo governo anterior foi a implementação do programa da Troika», procurando fazer passar despercebida a assinatura que o PSD tem no Memorando de Entendimento a que se referiu.

Na verdade, os sociais-democratas parecem ter acordado tarde para a realidade política resultante da actual correlação de forças parlamentar, que resultou das eleições legislativas de 2015, na qual nunca quiseram acreditar, mantendo-se na expectativa de verem um diabo que nunca saiu de trás da porta.

O discurso do PSD durante os últimos quatro anos não foi diferente do que se disse este sábado, nomeadamente nas referência ao falhanço do Estado em todas as áreas, com uma «degradação dos serviços públicos» nunca vista. Rui Rio procurou fazer valer uma lógica de passa-culpas e, mais uma vez, tentou reduzir a insignificâncias quaisquer dos avanços sociais introduzidos na vigência da actual solução política, como aconteceu, por exemplo, com a solução dos novos passes sociais.

Veja-se que ainda esta semana ficou mais clara a intenção do PSD em atacar o regime democrático, tanto com a apresentação de medidas para reformar o sistema político, que visam sobretudo limitar a pluralidade; como também com o anúncio das medidas para a Justiça, entre as quais insistiu no ataque à independência dos magistrados, com as alterações que pretende fazer aos seus conselhos superiores.

Uma vez mais, o PSD puxou pela ideia da «maior carga fiscal de sempre». No entanto, não se referiu aos avanços da actual legislatura que permitiram fazer crescer consideravelmente a tributação em sede de IRC, ao mesmo tempo que a receita de IRS se manteve nos últimos três anos praticamente estável. O que, tendo em conta o crescimento do emprego, com a criação de cerca de 350 mil novos postos de trabalho, significou, na prática, uma redução efectiva da tributação dos rendimentos do trabalho em termos individuais.

Rui Rio não perdeu a oportunidade de atacar o direito à greve e, a propósito da questão mediatizada dos serviços mínimos, afirmou que, «na Saúde, os serviços mínimos devem ser serviços máximos». É curioso que tal se ouça da parte de um líder do PSD que defendeu a necessidade da «liberdade sindical e respeitar os trabalhadores», mas apenas a propósito das greves promovidas recentemente pelos motoristas de pesados, coisa de que não há memória perante tantas lutas desenvolvidas nos últimos anos pelos trabalhadores de diversos sectores.

Ficou também claro que, se o PSD tiver poder, avançará com um projecto de descentralização que visa atribuir aos municípios responsabilidades que devem ser do Estado, sem lhes conferir mais meios para o efeito.

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