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PSD: é impossível. Mas deve-se fazer. Mas é impossível

Jerónimo de Sousa garante ser «possível honrar a palavra dada ao povo». Mas esta premissa não vale para todos: como é que Rui Rio cumprirá o que prometeu se muda o discurso consoante as conveniências da ocasião?

CréditosLuís Forra / Agência Lusa

«O salário mínimo é excepcional para forçarmos as políticas salariais a serem melhores» afirmou ontem Rui Rio, presidente do PSD, numa entrevista à rádio TSF. Mesmo com o aviso de que o Salário Mínimo Nacional (SMN) só poderá ser aumentado «de acordo com aquilo que a economia e as empresas podem pagar», é difícil compreender qual é exactamente a posição daquele partido em relação ao SMN.

A afirmação de que esse aumento é desejável e necessário encapota a insinuação de que o SMN só pode crescer numa situação em que a economia esteja em condições para o pagar. Com esta falsa lógica, o PSD constrói um subterfúgio no qual pode estar sempre a defender o aumento dos salários, mas num futuro em que esse aumento seja aceitável para os patrões. Ou seja: Dá com uma mão para tirar com a outra.

Esta posição não é irredutível. O líder social-democrata já avisou «que se o Governo for à concertação social e, nessa sede, conseguir a anuência dos sindicatos e da entidades patronais para fazer o aumento do salário mínimo nacional, dou um passo atrás». Se o PSD considerar que o País não aguenta aumentos, pode o País contar, pela primeira, com um acordo dos patrões para fazer crescer os salários? Seria inédito...

No sua conta de twitter, Rui Rio ameaçou avançar com um processo crime contra a SIC pela exibição de imagens suas a rejeitar a ideia de um aumento do SMN. 

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