Melhores preços e regresso de quotas leiteiras são algumas das reivindicações

Produtores de leite e carne protestam em Aveiro

Os protestos de hoje dos produtores de leite e carne incluíram uma marcha lenta e concentrações à frente de hipermercados, e ainda a entrega de um caderno de reclamações. O Governo já anunciou medidas.

A marcha lenta percorreu mais de 20 km, entre Ovar e Estarreja
A marcha lenta percorreu mais de 20 km, entre Ovar e EstarrejaCréditos

Os produtores de leite e carne realizaram hoje uma marcha lenta na Estrada Nacional 109, entre Ovar e Estarreja, exigindo melhores preços e o regresso das quotas leiteiras, tendo entregado um caderno de reclamações na Câmara Municipal de Estarreja. O protesto foi organizado pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne (APPLC). Albino Silva, dirigente da CNA, disse ao AbrilAbril que esta foi «uma grande iniciativa», com «muito apoio popular», sentido ao longo dos 20 km de marcha.

A acção incluiu uma concentração junto a três hipermercados, ao longo da Estrada Nacional, em Estarreja. Segundo João Dinis, um outro dirigente da CNA, tratou-se de um protesto simbólico, com «cadeados humanos», de forma a contestar a «ditadura comercial» das grandes superfícies, que «esmagam os preços através das sucessivas ou permanentes promoções nas marcas brancas», nomeadamente na carne bovina. Sobre elas «não há um controlo eficaz», o que ameaça a produção nacional. Afirmou também que, para continuar a produção, os produtores de leite estão a ter um prejuízo de oito cêntimos por cada litro (o preço médio é de 26 cêntimos/litro e o custo de produção 35 cêntimos/litro), ficando ainda por contabilizar o custo do trabalho do produtor.

Para além da regulação destes preços e da reposição de mecanismos públicos de controlo da produção (como as quotas leiteiras), foram feitas várias outras reivindicações: a continuação da isenção da lavoura da taxa de «contribuição do audiovisual» (2,85 euros mais IVA por mês); a retoma do regime da «Electricidade Verde» (reembolso do custo da energia eléctrica às pequenas e médias explorações agropecuárias); o fim das penalizações aos produtores de leite que ultrapassem as quantidades impostas pelo contrato com o comprador; o não aumento das taxas para a recolha dos animais mortos.

Governo já anunciou medidas

Entretanto, o Governo já anunciou medidas de apoio aos produtores, como por exemplo o aumento das ajudas às vacas leiteiras. Para João Dinis, «não foi por acaso que as medidas foram anunciadas hoje», tendo sido decisivos o protesto e a luta dos produtores. «Vale a pena lutar. A luta continua», rematou o dirigente da CNA.

Ainda antes do protesto, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, conforme noticiado pela Lusa, mostrou-se solidário para com os trabalhadores e garantiu que o sector do leite vai merecer a defesa do Governo em Bruxelas. Aí reivindicará a reposição do regime de quotas leiteiras na União Europeia (UE). O ministro afirmou ainda que o fim deste regime foi «uma decisão errada» da UE, e que a sua reposição tem sido recusada «porque existe ainda uma maioria de estados-membros que se opõem a essa possibilidade».