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Novo aeroporto de Lisboa, qual é a pressa?

Recorde-se que há 53 anos, a 29 de Janeiro de 1969, o Diário de Notícias destacava na primeira página: «Tudo o parece indicar... O futuro aeroporto internacional de Lisboa deve ficar a 40 quilómetros da capital».

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foto de arquivoCréditosTiago Petinga / Agência Lusa

A verdade é que a dureza da realidade nos mostra, nomeadamente através do imbróglio governamental que está criado, que vai continuar por concretizar a construção do novo aeroporto, uma decisão tomada há mais de 50 anos, mas que diferentes interesses privados têm adiado. No caso concreto, a ANA, que foi privatizada e é gerida pelos franceses da VINCI, recusa-se a retirar o aeroporto do interior da cidade de Lisboa e mostra um absoluto desinteresse pela construção de um novo aeroporto.  

A decisão anunciada por Pedro Nuno Santos e já revogada por António Costa, de avançar com a construção do Aeroporto do Montijo em 2023, ao mesmo tempo que prosseguem as obras de modernização na Portela, e de encerrar estas duas estruturas após a construção do novo aeroporto no Campo de Tiro em Alcochete, mostra que o Governo vai continuar a adiar a construção de um novo aeroporto. Isto é, ao anunciar que no futuro vai construir o aeroporto em Alcochete, mas avançando no imediato com a construção no Montijo e a modernização do Aeroporto Humberto Delgado, o Governo mantém os interesses nacionais subalternizados aos interesses da ANA/VINCI, num processo que a ser levado por diante implicaria o desperdício de centenas de milhões de euros que deveriam ser canalizados imediatamente para a construção faseada do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro em Alcochete.

Nas recentes audições realizadas na Comissão Parlamentar de Economia, Obras Públicas e Habitação, que envolveram o LNEC, a Plataforma Cívica «Aeroporto BA-6 Montijo Não!», as ordens dos Engenheiros e dos Economistas, foi consensual a solução da construção faseada do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro em Alcochete. Aliás, o ex-presidente da Ordem dos Engenheiros, Carlos Matias Ramos, que também foi ouvido, arrasou a solução do Montijo, sublinhando tratar-se de uma tentativa da Vinci para «enfiar a martelo» um aeroporto num espaço que, do ponto de vista da engenharia, é inviável.

Entretanto, como o Grupo Parlamentar do PCP requereu, com carácter de urgência, a audição do ministro das Infraestruturas na Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação, fica a expectativa de termos, por um lado, mais esclarecimentos sobre o futuro do novo aeroporto de Lisboa e, por outro, vermos desatado o nó deste imbróglio governamental entre o ministro e o primeiro-ministro.

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