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A «igualdade» dos patrões

A CIP vai apoiar formação para mulheres em cargos de liderança. Mas a igualdade nem sempre é prática nas suas empresas que mantêm políticas de baixos salários, precariedade e desregulação horária.

Créditos / CGTP-IN

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) junta-se à Nova SBE para apresentar esta segunda-feira um projecto formativo para mulheres que ocupam cargos de liderança, em nome da competitividade das empresas.

A iniciativa que se reveste de aparente preocupação com a igualdade entre homens e mulheres é mais um exemplo das verdadeiras preocupações dos patrões nesta matéria.

Em matéria de política salarial, o que estas empresas impõem é uma generalização de valores baixos para a maioria dos trabalhadores – muitos dos quais mulheres. No entanto, o DN noticiava, em Abril de 2019, que os administradores das grandes empresas ganham, em média, 52 vezes mais do que os seus trabalhadores.

Da mesma forma, muitas foram as notícias do desagrado da CIP com o aumento – insuficiente – de 35 euros do salário mínimo nacional para 2020, sabendo bem que muitas das mulheres trabalhadoras das suas empresas estão abrangidas por esta situação.

São também reveladores números como os que nos dizem que mais de metade (53%) dos 800 mil novos contratos de trabalho celebrados desde 2015 são temporários e/ou parciais. Sendo que perto de 40% desses novos empregos têm como retribuição o salário mínimo, abrangendo na sua maioria mulheres.

Os bloqueios à contratação colectiva também dificultam tanto a valorização salarial, como a melhoria das condições de trabalho de milhares de trabalhadores – e a CIP sabe-o bem.

É conhecida a violação reiterada dos direitos dos trabalhadores, e em particular das mulheres trabalhadoras, no acompanhamento os seus filhos e famílias em muitas das «grandes empresas». Ou não foi a SONAE recentemente condenada judicialmente por impedir uma trabalhadora do seu direito de compatibilizar do seu horário de trabalho com o acompanhamento dos filhos menores?

Os horários de trabalho longos e desregulados não respeitam as necessidades de descanso, de lazer, nem as famílias. O exercício dos direitos de parentalidade é posto em causa em nome do lucro.

Em contraponto, a verdadeira igualdade entre homens e mulheres só pode ser construída com uma justa distribuição da riqueza, com um combate sério à precariedade, com o respeito e o aprofundamento do respeito pelos direitos de parentalidade e acompanhamento da família e com serviços públicos dotados de meios suficientes.

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