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As greves de que a direita gosta marcam debate quinzenal

António Costa acusou o PSD e o CDS-PP de favorecerem os hospitais privados, num debate em que foi visado pela falta de resposta à expectativa de aumentos salariais, no público e no privado.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, conversa com Carlos Silva da UGT durante as jornadas parlamentares do CDS-PP, em Setúbal. 29 de Janeiro de 2018
A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, conversa com Carlos Silva da UGT durante as jornadas parlamentares do CDS-PP, em Setúbal. 29 de Janeiro de 2018CréditosRui Minderico / Agência LUSA

O debate desta tarde teve, nas intervenções de Assunção Cristas (CDS-PP) e de Fernando Negrão (PSD), momentos pouco habituais. Não por a direita ter assumido a crítica ao Governo, mas por assumir a defesa das greves no sector público, com particular destaque para a greve dos enfermeiros às cirurgias.

No mesmo dia em que a ministra da Saúde veio admitir conduzir os doentes com cirurgias adiadas para a Saúde privada, depois do presidente da União das Misericórdias anunciar total disponibilidade para as receber, a escolha do tema será tudo menos inocente.

Em causa estará um negócio de muitos milhões para as unidades privadas que possam vir a receber os milhares de cirurgias adiadas devido ao protesto convocado pela frente sindical dos enfermeiros ligada à bastonária da Ordem dos Enfermeiros (que também é ex-dirigente do PSD).

A preocupação súbita da direita com os direitos dos trabalhadores – postos em causa pelo anterior governo do PSD e do CDS-PP – provocou críticas do primeiro-ministro. António Costa acusou o líder parlamentar do PSD de «fazer de porta-voz da bastonária da Ordem dos Enfermeiros». «O vosso programa é desmantelar o Serviço Nacional de Saúde para promover os hospitais privados», acrescentou.

PCP exige aumentos salariais para todos

Este foi o último debate quinzenal do ano, mas também o primeiro desde que se conheceram as propostas do Governo para o salário mínimo nacional e para os salários da Administração Pública.

O secretário-geral do PCP lembrou que a medida apresentada pelo Governo como um «aumento do salário mínimo na Função Pública» é, afinal, apenas a actualização da tabela salarial que resulta do aumento do salário mínimo nacional.

Jerónimo de Sousa afirmou que «é importante para esses 70 mil trabalhadores  [abrangidos], mas faltam os outros 600 mil». Estes estão «há nove anos sem receber um cêntimo de aumento salarial, quantos mais anos serão necessários?», questionou.

O deputado comunista desafiou o Governo a aumentar os salários a todos os trabalhadores da Administração Pública, assim como o salário mínimo para 650 euros.

Transtejo de volta ao Parlamento, pelas piores razões

Os problemas nas travessias fluviais no Tejo são tão comuns que já se tornam tema recorrente nos debates parlamentares. Depois de marcar a audição do ministro do Ambiente na discussão do Orçamento do Estado para 2019, a questão regressou hoje através de Catarina Martins e Heloísa Apolónia.

A coordenadora do BE destacou a necessidade de investimento, mas foi a intervenção da deputada ecologista que demonstrou as reais possibilidades: «Andam a sacar peças aos navios que estão parados na Lisnave em vez de os repararem!», denunciou.

Na resposta, António Costa voltou a apontar para o calendário já conhecido: só em 2020 chegam barcos novos ao Tejo. Até lá, o desespero dos utentes deverá continuar a marcar o dia-a-dia dos cais fluviais e a ser tema na Assembleia da República.

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