Depois de todo o serviço que o Chega tem prestado ao Governo PSD/CDS-PP, o facto de o primeiro-ministro Luís Montenegro não ter expressado o seu apoio a André Ventura para a segunda volta das eleições presidenciais de 2026 caiu mal a Pedro dos Santos Frazão, um dos mais destacados deputados da extrema-direita. Durante a emissão da noite eleitoral na CNN, o também membro do Opus Dei reconheceu que, até esse momento, considerava Montenegro como sendo o líder da direita portuguesa.
«O país todo, hoje, deve ficar consciente de que acabámos de ver a capitulação do primeiro-ministro. O primeiro-ministro acabou de abdicar do seu, até agora, lugar de líder da direita em Portugal. Porque o que Luís Montenegro acabou de fazer foi dizer que o seu partido não escolhe nem a esquerda, nem a direita», afirmou Frazão, logo após as declarações de Montenegro em que o próprio se furtou a declarar apoio a qualquer um dos candidatos.
Esta falta de reconhecimento pelo papel de Ventura revoltou Pedro dos Santos Frazão. Afinal de contas, o Chega é um partido com quem o primeiro-ministro «negoceia leis da imigração», a quem o Governo PSD/CDS-PP recorre quando precisa de «ajuda para o Orçamento do Estado» e com quem negoceia até situações fundamentais como é o caso do pacote laboral, cujo apoio o PSD procurou: foram à «procura do nosso entendimento e teve [o Governo] reuniões» com o Chega sobre o assunto, «em detrimento» de um acordo com o PS.
A indignação de Frazão com a falta de reciprocidade do PSD de Luís Montenegro acabou por deixar escapar algo que ainda não era público: o namoro de André Ventura com o pacote laboral do Governo não foi apenas um amor platónico (o líder do Chega foi o primeiro e mais entusiasta defensor de mudar a lei a favor do patronato. Isto antes de o apoio massivo à greve geral o obrigar a surfar outras ondas).
O Chega (e o PSD/CDS-PP) procurou mesmo, activamente, um entendimento sobre este pacote laboral, que agora descreve como um «bar aberto para despedimentos» e de demonstar uma «falta de humanidade». Parece que a Lapa não paga a traidores.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
