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CGD é assistente no processo de investigação à sua gestão

O ministro das Finanças instruiu a CGD para se constituir como assistente junto da Procuradoria Geral da República (PGR). Direita omite responsabilidades pelas imparidades do banco público. 

Os créditos concedidos a actividades especulativas durante anos são, agora, um dos maiores entraves ao desenvolvimento do banco público
Os créditos concedidos a actividades especulativas durante anos são, agora, um dos maiores entraves ao desenvolvimento do banco públicoCréditosMário Cruz / Agência Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta tarde no Parlamento que o Governo deu instruções à Caixa Geral de Depósitos (CGD) para se constituir como «assistente» no processo de investigação à gestão do banco junto da Procuradoria Geral da República (PGR).

«O Governo deu indicação para a Caixa se constituir assistente no processo junto da PGR para ter uma participação activa e acompanhar de perto a investigação em curso», disse Centeno no debate de actualidade sobre o banco público, pedido pelo CDS-PP, que agora demonstra preocupação pelas imparidades verificadas na CGD, designadamente no período em que os centristas assumiram responsabilidades governativas

Mário Centeno defendeu que a decisão, tomada «com seriedade», é inédita nos últimos 20 anos e «não foi um exercício de voyeurismo populista». «Fizemos o que nenhum outro governo fez nos últimos 20 anos, oito ministros das finanças e sete governos nunca o fizeram», realçou. 

«CGD foi levada para o turbilhão de perdas avultadas»

O PCP defende que o PS, o PSD e o CDS-PP devem ser responsabilizados pelos gestores que nomearam ao longo dos anos e que a CGD está longe do que deveria ser a missão do banco público.

«A CGD enveredou pelo caminho do favorecimento de interesses económicos privados em detrimento do interesse público», denunciou o deputado Paulo Sá. O eleito comunista disse ainda que, tal como nos bancos privados, a CGD adoptou abordagens especulativas e que, «em vez de dar o exemplo, foi levada para o turbilhão de perdas avultadas». 

Ao CDS-PP, que pediu o debate na sequência da auditoria pedida pelo Ministério das Finanças, cujos resultados preliminares foram conhecidos esta semana, Paulo Sá perguntou se «alguma vez os administradores nomeados pelo CDS-PP puseram em causa algum desses negócios? Essa responsabilidade é dos sucessivos governos», disse. 

O BE, pela voz da deputada Mariana Mortágua, perguntou às bancadas do PSD e do CDS-PP: «Porque é que só agora vos mordeu o bicho da transparência? Porque é que quando recapitalizaram a Caixa, não quiseram saber das responsabilidades das imparidades?»

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