«Somos a redacção actual da Visão e queremos continuar a fazer a revista. Precisamos de dinheiro para comprar o título e manter a sua publicação». O apelo em jeito de notícia foi divulgado esta quinta-feira no site da Visão, acompanhado da garantia de que assim «continuará a ser respeitado o jornalismo livre, independente, de qualidade e atento ao que é importante, sem se deixar manietar pela espuma dos dias e pela ditadura de algoritmos, com agendas ou propósitos escondidos».
Este grupo de 12 jornalistas tem estado a produzir a revista 100% em teletrabalho, desde 1 de Agosto de 2025, mediante requerimento apresentado em tribunal, após liquidação da empresa detentora do título, e tem vários salários em atraso. Resistiram «por respeito à história da Visão e por acreditar no seu futuro, assente num jornalismo independente de agendas, comprometido com os valores éticos da profissão, com a democracia e com os Direitos Humanos», refere o documento.
A campanha de donativos (crowdfunding) surge, esclarece a redacção, para poder apresentar, em leilão, uma proposta «sólida e vencedora – que resista às investidas de um qualquer aventureiro ou de alguma entidade de origem desconhecida». Por outro lado, será necessário investimento para o arranque da nova fase da revista, «gerida por uma empresa de jornalistas, criada do zero, ainda sem receitas, mas já com custos nos primeiros meses: de impressão, de produção, de equipamentos, de licenças de software, de armazenamento de dados, de telecomunicações e, naturalmente, de salários».
«Temos um plano de negócios, prudente e realista, com um horizonte a 10 anos, que demonstra que a Visão é financeiramente sustentável com as receitas que gera», referem os jornalistas, salientando que a ideia é começar com uma estrutura «muito reduzida, semelhante àquela com que temos estado a funcionar», para depois reforçar a oferta, tanto a nível impresso como digital, recuperando antigos produtos da marca, como a Visão Junior e a Visão História.
Paralelamente à campanha de donativos, os jornalistas alertam para a importância de «continuar a comprar a revista em banca» e assiná-la, logo que volte a estar activo o sistema de assinaturas. O propósito, reforçam, «é que a revista viva graças aos seus leitores e anunciantes».
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