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Para falar sobre o «futuro do trabalho humano», não entra quem trabalha

A conferência organizada pela ISEG Alumni Económicas, «Transformar o Trabalho», a realizar no próximo dia 13, conta com a ministra do Trabalho, CEO e Partners. Só os sindicatos e trabalhadores ficam de fora.

«Inteligência Artificial, liderança e o futuro do trabalho humano» são os temas em debate na sessão organizada pelo Conselho Estratégico de Liderança do ISEG Alumni Económicas para dia 13 de Janeiro. O «Leader’s Agenda 2026 – Transformar o Trabalho: IA, Liderança e o Futuro do Trabalho» escolheu, nesse sentido, um vasto leque de «decisores, académicos e líderes empresariais» para debater os grandes desafios e oportunidades que a IA introduz no mercado de trabalho.

«Decisores, académicos e líderes empresariais», mas... nenhum trabalhador ou membro de uma organização representativa de quem trabalha. Nesta sessão, organizada por uma instituição de Ensino Superior pública, apenas serão ouvidos CEO, advisors, partnerssenior directors. A comandar os trabalhos está a Keynote Speaker (oradora principal, em português), Maria do Rosário Palma Ramalho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Optar por esta figura do Governo PSD/CDS-PP pode, no entanto, causar alguma estranheza, sobretudo atendendo ao tópico em discussão. Palma Ramalho está envolvida no corrente processo de alteração do Código Laboral e, por entre as mais de 100 mexidas na Lei, não demonstrou qualquer interesse em introduzir alterações que, de facto, regulamentem as alterações tecnológicas que o mundo do trabalho enfrenta (à excepção de tornar ainda mais precária a vida dos trabalhadores das plataformas digitais).

Sobre a inteligência artificial ou a automatização, nada. Sobre o teletrabalho, a governante avança com uma proposta que facilita ao patronato impedir esta prática (até agora, só o poderia fazer mediante a apresentação de fundamentos para a recusa). Em sentido oposto, o Governo PSD/CDS-PP quer impor que a recusa de ir para teletrabalho por vontade do patrão passe, agora, a obrigar a uma justificação fundamentada por parte trabalhador.

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