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Urgências pediátricas de S. Francisco Xavier e de Torres Vedras vão fechar à noite

O Governo prepara mais encerramentos nocturnos, desta vez das urgências pediátricas do Hospital São Francisco Xavier (Lisboa) e do Centro Hospitalar do Oeste, com o argumento da «reorganização». 

Créditos / Saúde Online

Segundo notícia avançada esta segunda-feira pela estrutura criada pelo Governo para dar as más notícias da gestão do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a população servida pelos hospitais de Torres Vedras e São Francisco Xavier vai ficar sem as urgências de Pediatria no período nocturno, entre 1 de Abril e 30 de Junho. Já em Setúbal, as urgências de Pediatria vão estar abertas 24 horas, mas apenas de segunda a sexta-feira, prevendo-se o encerramento aos fins-de-semana, de 15 em 15 dias, em igual período. 

Recorde-se que a população de Loures está, desde o início deste mês, sem urgências pediátricas no período entre as 21h e as 9h, e ao fim-de-semana, no âmbito do que o Executivo designa por estratégia de reorganização do serviço de urgência de Pediatria na Região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), mas que resulta da opção política perante a falta de médicos, que reclamam a valorização das carreiras entre outras exigências.

A direcção executiva do SNS salienta que a maioria (dez) das urgências pediátricas de LVT não vai para já encerrar no período nocturno, mas nada garante que, graças ao crónico subfinanciamento e contínua desvalorização dos profissionais de saúde, a que o Estatuto do SNS dá seguimento, isso não venha a acontecer a breve trecho. 

Em declarações ao AbrilAbril, no início deste mês, Joana Bordalo e Sá, presidente da Comissão Executiva da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), acusava o Executivo de António de estar tentar fazer «um remendo», com a chamada reorganização das urgências da Área Metropolitana de Lisboa, salientando que os encerramentos se devem à fuga dos médicos devido às más condições de trabalho, e que o Governo «nada tem feito» para reverter a situação.

O descontentamento dos clínicos, que não se limita ao sector público, esteve na base da greve de dois dias, promovida na semana passada pela FNAM.

Proposta «não é exequível»

A Comissão de Utentes do Hospital Beatriz Ângelo (Loures) repudia a estratégia de «reorganização hospitalar» anunciada hoje pela direcção executiva do SNS e pondera avançar com acções de protesto junto ao Ministério da Saúde. 

Em declarações à Lusa, Fernanda Santos, da Comissão de Utentes, admitiu que a alternativa proposta para os períodos de encerramento «não é exequível» e causa «bastantes transtornos», sobretudo aos utentes que vivem nos concelhos mais afastados de Lisboa, como é o caso de Mafra e de Sobral de Monte Agraço.

«A nossa posição é de total repúdio desta situação. Veio confirmar aquilo que nós já suspeitávamos. Que este suposto encerramento temporário seria afinal definitivo e não estamos, de forma nenhuma, de acordo com isso», afirmou.


Notícia actualizada às 17h50 com informação da Comissão de Utentes do Hospital Beatriz Ângelo

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