Paulo Silva realizou na manhã de hoje uma viagem entre Foros de Amora e Corroios, estações ferroviárias situadas no concelho do Seixal, tal como já o fez há um ano face a constrangimentos então verificados.
«O comboio chegou com 20 minutos de atraso e completamente cheio à estação de Foros de Amora e sem quaisquer condições de conforto. É quase desumano ir trabalhar nestas condições», disse o autarca.
Em declarações aos jornalistas na estação de Corroios, Paulo Silva disse que a Câmara Municipal do Seixal, no distrito de Setúbal, exige que este meio de transporte, que é o principal meio da população do concelho para se deslocar para o local de trabalho em Lisboa, se faça com melhores condições.
«Já o exigimos no passado e iremos continuar a exigir e não vamos desistir enquanto não houver um transporte ferroviário em condições, com o necessário conforto», disse.
Paulo Silva advoga que não é com um meio de transporte nestas condições, «em que as pessoas chegam cansadas e com atrasos aos seus locais de trabalho que se aumenta a produtividade em Portugal de que o Governo fala».
«Se queremos, e falamos tanto no aumento da produtividade, temos de dar o conforto às pessoas para chegarem ao trabalho sem ser já stressadas e cansadas para poderem produzir», frisou.
O presidente do Município seixalense adiantou que vai hoje pedir reuniões com a Fertagus e com o Governo para expor o problema, defendendo que a solução passa pela aquisição de mais carruagens e de mais comboios para aumentar a capacidade de oferta.
Devido aos sucessivos constrangimentos registados foi lançada no início de Janeiro uma petição a exigir uma urgente melhoria do serviço ferroviário da Fertagus, que liga Lisboa e Setúbal, e o fim dos atrasos e supressões que os utentes referem estar a ocorrer. Às 15h desta terça-feira, eram 3739 os assinantes preocupados com a mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa, denunciando «a degradação contínua do serviço prestado pela Fertagus, traduzida em atrasos frequentes, supressões de comboios, sobrelotação e falhas graves na informação aos passageiros».
Segundo os peticionários, que querem ver o assunto debatido no Parlamento e cujo pedido de audiência já foi formulado, estas situações ocorrem de forma repetida e sistemática, afectando milhares de trabalhadores, estudantes e famílias, e causando prejuízos profissionais, económicos e pessoais.
«Apesar de o serviço ser explorado em regime de concessão pública, os utentes não têm visto melhorias proporcionais nem respostas eficazes por parte da concessionária, nem uma fiscalização visível por parte do Estado», lê-se na petição.
Os utentes pedem à Assembleia da República e ao Governo que fiscalizem de forma rigorosa o cumprimento do contrato de concessão da Fertagus, que sejam tornados públicos os dados reais dos atrasos, supressões e incumprimentos, e que sejam apuradas as responsabilidades pelas falhas recorrentes do serviço.
Exigem, ainda, medidas concretas eficazes e calendarizadas para garantir a fiabilidade, pontualidade e capacidade do serviço e que seja avaliada a aplicação de sanções ou a revisão do contrato de concessão caso os incumprimentos persistam, por consideraram que «os utentes não podem continuar a ser penalizados por um serviço essencial que falha de forma recorrente sem consequências visíveis».
A travessia da Ponte 25 de Abril foi concessionada à Fertagus, do grupo Barraqueiro, há 26 anos, com o Estado a garantir ao privado os comboios, a infra-estrutura, a gestão das estações, que recusou à CP, e, entre outros privilégios, o direito a manter o serviço fora do passe social durante 20 anos, cobrando o dobro do preço da CP.
No final de 2024, o Governo entendeu prorrogar o período de concessão até Março de 2031 com o argumento de compensar alegadas perdas no período da covid-19, informação desmentida pelos Relatórios e Contas da empresa.
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