Após «duas decisões unânimes» a favor da criação das freguesias de Vale das Mós e de São Facundo, no concelho de Abrantes, tomadas com o apoio do PS, de um movimento independente e da CDU, a maioria da nova composição da Assembleia de Freguesia de São Facundo e Vale das Mós (5 do PS, 2 do PSD/CDS-PP) está a tentar pôr um travão na engrenagem, denuncia a concelhia de Abrantes da CDU.
A coligação de comunistas e ecologistas, com dois eleitos nesta freguesia, denunciou os moldes em que foi convocada a última assembleia, «de forma ilegal, facto admitido pela própria Presidente da Assembleia, que reconheceu o incumprimento do regimento». O objectivo do PS e PSD ao anunciar a realização de um referendo popular constitui apenas uma «manobra de bloqueio», considera a CDU: o objectivo é o de «recuar, trair a palavra dada e tentar travar» a criação das novas freguesias.
«A “proposta” apresentada não passou de uma pergunta verbal, sem documentos, prazos ou conteúdo», acusa a concelhia da CDU, «um exercício vazio de propaganda. A população marcou presença e denunciou o que é evidente: o PS enganou para recolher votos e agora trai os compromissos assumidos».
Após as eleições autárquicas de 12 de Outubro, a Comissão da Assembleia da República para o Poder Local questionou várias freguesias que ainda tinham o processo de desagregação pendente (e que não conseguiram, atempadamente, integrar a desagregação realizada em 2025) se pretendiam continuar com o processo já decidido por unanimidade no mandato anterior. «A única decisão possível era reafirmar essas deliberações», afirma a CDU. Segundo a coligação, o actual Presidente da Junta do PS terá defendido publicamente que «a decisão competia ao Executivo e que este iria informar a Comissão de que não pretendia continuar com o processo,o que é falso e contrário à lei».
«Não aceitamos a mentira nem a traição à vontade democrática das populações. A criação da Freguesia de Vale das Mós e de São Facundo é uma luta justa e legítima», reafirmam os comunistas.
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