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Centenas de novos autocarros e serviços no primeiro dia da Carris Metropolitana

Alcochete, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal inauguram hoje o novo sistema de transporte rodoviário de passageiros da AML. Só o concelho de Palmela vai ter um aumento de serviços na ordem dos 148%.

Cerimónia de lançamento da Carris Metropolitana, realizada no Pátio da Galé, Lisboa, 1 de Abril de 2022 
Cerimónia de lançamento da Carris Metropolitana, realizada no Pátio da Galé, Lisboa, 1 de Abril de 2022 CréditosManuel Almeida / Agência Lusa

A revolução nos transportes públicos rodoviários da Área Metropolitana de Lisboa (AML) já está na estrada. A nova marca de transportes Carris Metropolitana, gerida pela Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML), inicia hoje a sua actividade, circunscrita, por enquanto, a cinco dos 18 concelhos da AML: Alcochete, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal. 

«Não são os outros [concelhos] que começam mais tarde, esta área é que começou mais cedo», explicou Carlos Humberto, primeiro-secretário da Comissão Executiva da AML, ao AbrilAbril. O sistema vai ser avaliado ao longo do mês de Junho, permitindo corrigir os problemas em antecipação ao alargamento da rede a toda a área metropolitana, agendado para dia 1 de Julho. 

«É normal que no primeiro dia não esteja tudo a funcionar em pleno», alerta Carlos Humberto, «temos um mês para fazer acertos».

É que a dimensão desta rede de transportes, quando estiver a funcionar em pleno, «será avassaladora»: «São mais de 1500 viaturas, 370 painéis de informação ao público, mil novas paragens, 26 lojas navegantes, de atendimento ao público», representando um investimento total de 1,2 mil milhões de euros.

Cada concelho terá um crescimento médio de serviço a rondar os 35%, em comparação com os serviços que existiam antes da pandemia (não o que está, actualmente, em funcionamento).

A vida dos quase três milhões de habitantes na AML será facilitada de outras maneiras: os 903 títulos de transporte distintos, espalhados por 18 concelhos, serão condensados em três bilhetes navegantes pré-comprados ou 3 bilhetes adquiridos a bordo, válidos em todos os autocarros da Carris Metropolitana.

De fora ficam apenas os serviços municipalizados de Lisboa e Barreiro (que integram a Carris Metropolitana nos trajectos intermunicipais) e da Câmara Municipal de Cascais, que decidiu, por conta própria, concessionar os serviços municipais de forma autónoma, uma decisão que pode vir a custar vários milhões de euros aos cofres da autarquia.

Propostas da Câmara Municipal de Palmela, integradas na nova rede, apontam para um aumento de 148% na oferta rodoviária no concelho

«Temos grandes expectativas com o sistema», afirmou Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de Palmela (CMP), em declarações prestadas ao AbrilAbril. «Palmela é o maior concelho, em extensão, da AML, com muitos aglomerados dispersos e também com grandes centralidades», mas há muito tempo que a oferta de transportes rodoviários de passageiros era manifestamente insuficiente para todas as necessidades.

A Carris Metropolitana será a solução para muitos dos problemas de mobilidade dos palmelenses. Os contributos da CMP para a planificação da nova rede procuraram sanear as situações mais flagrantes existentes no concelho.

Álvaro Amaro destaca, na nova rede, a ligação das zonas mais rurais de Palmela, Poceirão e Marateca, à sede do concelho, mas a «grande revolução» é a que é feita numa zona com imensa pressão do transporte individual, a zona poente do concelho: Vila Amélia e a Estrada dos Quatro Castelos, «com grande concentração de empresas e milhares de postos de trabalho». 

Outra ligação previamente inexistente é a que une Penalva, o Bairro dos Marinheiros e o Bairro Alentejano, bairros que, antes da Carris Metropolitana, «não tinham ligação nem à sede de freguesia, Quinta do Anjo, nem à estação de Penalva, nem sequer à sede do concelho».

«A nova rede vai racionalizar alguns circuitos, ligando, por exemplo, a estação de Palmela à vila em si», algo que não existia há mais de 20 anos.

«O esforço é grande, a expectativa é grande, haverá certamente uma ou outra zona em que a oferta não corresponderá à procura mas cá estaremos, depois, para fazer essas afinações».

Para já, o que importa é que «quem tinha muito pouco, como era o caso de Palmela», vai ter um aumento muito significativo da oferta, algo determinante para centenas de milhares de pessoas no concelho, na Península de Setúbal e em toda a Área Metropolitana de Lisboa.

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