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Utentes marcam protesto contra fecho da maternidade no Barreiro

A Comissão de Utentes do Barreiro convocou uma manifestação para domingo, 1 de Março, contra a vontade do Governo de encerrar os serviços de ginecologia e obstetrícia naquela localidade. 

CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

Ouvida esta terça-feira na comissão parlamentar de saúde, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, anunciou que a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro vai encerrar, no âmbito da entrada em funcionamento da nova urgência regional para a Península de Setúbal.

A decisão não apanhou desprevenidos os utentes, que em Setembro de 2025 se manifestaram contra a intenção do Executivo de Luís Montenegro, responsabilizando igualmente Chega e IL por terem aprovado no Parlamento o programa do Governo. Há cerca de dois anos, a maternidade do Barreiro foi alvo de obras no valor de quase um milhão de euros. Agora, criticavam então, arrisca-se «a ganhar pó».

Segundo anunciado no Parlamento por Ana Paula Martins, no Barreiro só se realizarão partos programados, os restantes serão realizados no Hospital Garcia de Orta, em Almada. 

«Há muito que a ministra da Saúde vinha a preparar este caminho, enfrentando desde o início a firme oposição da Comissão de Utentes do Barreiro, por se tratar de uma medida que não traz mais segurança nem melhor resposta aos mais de 200 mil utentes servidos por esta unidade hospitalar — populações do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete», reage a comissão num comunicado divulgado ao final da tarde desta terça-feira.

A estrutura admite que se trata de escolhas políticas que «ignoram as reais necessidades das populações e fragilizam o Serviço Nacional de Saúde», criticando a opção de concentrar serviços, em vez de reforçar meios humanos e técnicos. A comissão de utentes, que convocou uma manifestação para o próximo domingo, 1 de Março, às 10h, à porta do Hospital do Barreiro, considera que «as soluções» apresentadas pelo Governo não resolvem os problemas existentes, nem garantem a resposta adequada às mulheres e às famílias deste concelho do distrito de Setúbal.

Neste sentido, reclama o funcionamento em pleno da maternidade do Barreiro, «assegurando o acompanhamento das grávidas e a realização de partos programados e não programados, cumprindo a missão para a qual foi criada e na qual foram investidos milhões de euros em obras e requalificação». 

Também o Partido Ecologista Os Verdes repudia o anúncio da ministra Ana Paula Martins. Num comunicado enviado à redacção do AbrilAbril, os ecologistas consideram «inqualificável» a intenção do Governo «de fragilizar os cuidados de saúde» desenvolvidos no Hospital do Barreiro.

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